Polícia afirma que vítima usava arnês, mas não estava conectada a nenhum sistema de proteção no momento do salto
As investigações sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira (SP), ganharam um novo e importante desdobramento. A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (15) que a jovem deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas não estava conectada a nenhuma delas quando foi lançada da Ponte do Esqueleto, estrutura de aproximadamente 40 metros de altura onde ocorreu o acidente.
A informação foi divulgada pela delegada responsável pelo caso, Andrea Levy, após os interrogatórios dos três investigados que permanecem presos preventivamente. Segundo a polícia, os próprios organizadores admitiram não saber quem era o responsável por instalar ou conferir os equipamentos antes do salto. O relato reforça a hipótese de falha grave nos protocolos de segurança adotados pela equipe que operava a atividade.
De acordo com a investigação, Maria Eduarda utilizava um arnês preso ao corpo, com os pontos de ancoragem preparados para receber as cordas. No entanto, nenhuma delas estava conectada no momento em que ela foi impulsionada para o vazio. As imagens registradas por testemunhas mostram que a jovem foi lançada pelos instrutores enquanto eles próprios estavam presos aos sistemas de segurança.

A delegada também revelou que o capacete usado pela vítima, visível em vídeos gravados no local, não foi encontrado durante a perícia inicial. O desaparecimento do equipamento passou a integrar as linhas de investigação, que buscam reconstituir exatamente o que ocorreu nos segundos anteriores ao acidente.
Outro depoimento considerado relevante foi o de uma enfermeira que estava na fila para saltar logo após Maria Eduarda. Ela relatou que desceu até o local da queda para prestar os primeiros socorros e constatou que a vítima ainda apresentava sinais vitais extremamente fracos. A profissional afirmou ter percebido que havia um equipamento preso ao corpo da jovem, mas sem a corda principal conectada. Ela tentou realizar manobras de reanimação até a chegada do atendimento de emergência.
As imagens gravadas pela enfermeira também ajudaram a esclarecer os momentos que antecederam a tragédia. Segundo seu depoimento, após a queda começaram os gritos de pessoas que perceberam a ausência das cordas de segurança. O vídeo se tornou uma das principais provas analisadas pelos investigadores.
A Polícia Civil trata o caso como homicídio com dolo eventual, quando os envolvidos assumem o risco de produzir o resultado fatal. Os três homens que operavam o salto tiveram a prisão preventiva mantida pela Justiça após audiência de custódia. Para o magistrado responsável pelo caso, existem indícios suficientes de negligência grave e falhas que justificam a continuidade das investigações com os suspeitos presos.
Além da esfera criminal, o caso também levanta questionamentos sobre a fiscalização de esportes de aventura no país. Autoridades investigam se os responsáveis possuíam autorizações, procedimentos operacionais documentados e sistemas de controle compatíveis com uma atividade considerada de alto risco. Informações preliminares indicam que o grupo realizava eventos frequentes no local, atraindo participantes de diversas cidades da região.
A morte de Maria Eduarda provocou forte comoção nacional e reacendeu o debate sobre segurança em esportes radicais. Especialistas destacam que atividades como o rope jump exigem múltiplas conferências independentes dos equipamentos antes de cada salto justamente para evitar que falhas humanas resultem em acidentes fatais. No caso de Limeira, a investigação aponta que o sistema de redundância previsto para proteger a praticante simplesmente não estava conectado.
