O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com um movimento de retração, refletindo a volatilidade observada na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Nesta sexta-feira (18), o cenário foi marcado por uma sessão de ajustes, onde o grão acompanhou a desvalorização do farelo e sentiu o impacto direto do avanço da colheita norte-americana, que pressiona os preços globais da commodity.
Impactos no mercado físico e paridade portuária
No cenário interno, os recuos foram mais evidentes nas regiões portuárias, seguindo a lógica da paridade de exportação. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o ambiente de negócios permanece predominantemente nominal, sem que isso represente perdas expressivas de valor para o produtor. O impasse comercial continua, com vendedores mantendo pedidas elevadas enquanto as ofertas de compra, embora em patamares considerados sólidos, mostram pouca flexibilidade.
O mercado disponível apresenta um spread acentuado, que chega a R$ 7,00 por saca em determinadas praças, evidenciando a cautela dos agentes. Entre as principais praças monitoradas, os preços oscilaram conforme a demanda regional. Em Passo Fundo (RS), a saca recuou para R$ 154,00, mesmo valor registrado em Santa Rosa (RS). Em Cascavel (PR), o preço fechou em R$ 151,00, enquanto em Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) a cotação atingiu R$ 162,00. Em contrapartida, praças como Rondonópolis (MT) e Dourados (MS) mantiveram a estabilidade em R$ 147,00, e Rio Verde (GO) registrou leve alta para R$ 149,00.
Expectativas globais e influência da China
Em Chicago, os contratos futuros da soja fecharam em baixa, com investidores realizando lucros e realizando vendas técnicas. O mercado agora volta suas atenções para o encontro diplomático em Washington entre os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump. A expectativa por novos acordos comerciais entre as duas potências gera otimismo quanto a um possível aumento nas vendas de soja americana para o mercado chinês.
Reforçando esse cenário, exportadores privados dos EUA reportaram ao USDA a venda de 111.000 toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. Além disso, a estatal chinesa Sinograin retomou seus leilões de estoques estratégicos, visando liberar capacidade de armazenamento para a chegada de novos carregamentos, um movimento que traders interpretam como um preparativo logístico para o fluxo de importações.
Projeções da Abiove e desempenho dos contratos
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) manteve sua estimativa para a produção brasileira de soja em 180,4 milhões de toneladas, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (18/9). Contudo, houve um ajuste na previsão de exportação, reduzida em 0,3% para 115 milhões de toneladas, reflexo direto da maior competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.
No fechamento dos contratos futuros na CBOT, a posição para novembro recuou 1,23%, cotada a US$ 13,03 1/2 por bushel. O farelo de soja também sofreu pressão, com a posição dezembro fechando em queda de 3,42%, a US$ 358,60 por tonelada. No campo cambial, o dólar comercial encerrou o dia com valorização de 0,11%, cotado a R$ 5,1452, acumulando alta de 0,42% na semana, o que adiciona uma camada extra de complexidade na formação de preços para o produtor brasileiro.
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Fonte: canalrural.com.br
