Operação Crédito Oculto desarticula esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Operação Crédito Oculto desarticula esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Economia

Uma complexa rede financeira, composta por fundos de investimento, empresas de fachada e instituições bancárias, está no centro de uma investigação que busca desmantelar um esquema de ocultação patrimonial no mercado brasileiro. A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24), aponta que essa estrutura foi arquitetada para esconder os verdadeiros controladores por trás da aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) sustenta que a operação utilizou uma sobreposição de camadas financeiras para dissimular a origem de recursos e a identidade dos beneficiários finais. O caso revela como instrumentos legítimos do mercado de capitais podem ser desviados para finalidades ilícitas, envolvendo desde usinas sucroalcooleiras até sofisticadas operações de crédito bancário.

A estrutura por trás da aquisição da Terrana

A investigação detalha que o caminho até a compra da Terrana passou por uma usina sucroalcooleira no interior paulista. Segundo os promotores, o grupo teria ocultado a titularidade da Usina Itajobi para utilizá-la como peça-chave no financiamento da distribuidora. O esquema movimentou cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios, utilizando um fluxo circular de capital que dificultava o rastreamento pelas autoridades.

Em um dos episódios apurados, R$ 100 milhões transitaram por contas de empresas ligadas ao grupo em fintechs em questão de minutos, servindo apenas como “contas de passagem”. Esse volume financeiro, que totalizou R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 nas empresas envolvidas, é visto pelo MPSP como um forte indício de lavagem de capitais e dissimulação de patrimônio.

Conexões com o mercado financeiro e o Banco Genial

A força-tarefa aponta que a arquitetura do esquema contou com a participação de operadores do mercado financeiro, incluindo o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, e o fundador da administradora Altinvest, Rogério Garcia Peres. A estratégia envolvia nove fundos de investimento e 27 empresas, desenhadas para criar camadas de proteção patrimonial.

O Fundo Radford, administrado inicialmente pela Altinvest e posteriormente sob custódia do Genial, é apontado como o eixo central da operação. O banco teria concedido empréstimos via Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) para holdings do próprio grupo, utilizando recursos que, na prática, retornavam para a estrutura criminosa. O objetivo era dar aparência de legalidade à transação perante órgãos reguladores como a ANP.

Posicionamento da instituição financeira

Em nota enviada ao portal Seu Dinheiro, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026. A nota destaca que a instituição colaborou com o GAECO-SP, fornecendo informações sobre as operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings.

O banco reforçou que, após tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas internas de governança, incluindo a destituição do então diretor e a revisão de seus processos de crédito. A instituição declarou que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e que renunciou à administração do fundo em questão após a deflagração da operação.

Desdobramentos e alcance da operação

A terceira fase da Operação Crédito Oculto cumpre mandados em 11 cidades de seis estados e no Distrito Federal, atingindo 40 alvos. Entre os investigados está o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, delator do Banco Master, cujo grupo é citado em outras frentes de investigação, incluindo o financiamento de produções audiovisuais.

O caso sublinha a preocupação das autoridades com a convergência entre grupos criminosos e operadores financeiros que oferecem serviços de lavagem de dinheiro. O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos desta investigação, mantendo o compromisso com a apuração rigorosa e a transparência sobre os fatos que impactam a economia e a segurança jurídica do país. Continue conosco para mais atualizações sobre este e outros temas relevantes.

Fonte: seudinheiro.com