PIB do Rio Grande do Sul mantém estabilidade mesmo com recuo no setor agropecuário

PIB do Rio Grande do Sul mantém estabilidade mesmo com recuo no setor agropecuário

Rio Grande do Sul

A economia do Rio Grande do Sul demonstrou resiliência no primeiro trimestre de 2026, mantendo-se estável em comparação aos três meses anteriores. O resultado, que surpreendeu analistas, foi sustentado pelo desempenho positivo dos setores de indústria e serviços, que compensaram uma retração significativa de 9,9% na agropecuária gaúcha. Os dados foram consolidados pelo Boletim de Conjuntura, divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE-SPGG).

Resiliência econômica e o papel da indústria

Enquanto o campo enfrentou dificuldades, a indústria gaúcha registrou um crescimento de 0,9%, acompanhada pelo setor de serviços, que avançou 0,2% no período. Ao analisar o desempenho em relação ao primeiro trimestre de 2025, o cenário é de crescimento de 0,4%, impulsionado por uma expansão de 1,3% na indústria e 0,9% nos serviços. Embora a variação trimestral tenha sido próxima de zero, o índice de volume do PIB atingiu o patamar mais elevado de sua série histórica, equiparando-se aos resultados dos trimestres anteriores de 2025.

Impacto das safras e oscilação de preços

A queda acentuada na agropecuária reflete a sazonalidade de culturas como o arroz e o fumo, cujas colheitas são concentradas no início do ano. A produção de arroz sofreu uma redução de 9,7%, totalizando 7,9 milhões de toneladas, enquanto o fumo teve queda estimada de 0,4%. Contudo, o setor projeta uma recuperação robusta para os próximos meses, com a expectativa de que a soja alcance 18,4 milhões de toneladas, um crescimento de 34,6%, e o milho suba 21,8%.

Apesar da perspectiva de volume, o cenário de preços permanece desafiador. Entre janeiro e julho, os produtores enfrentaram uma desvalorização expressiva nas commodities, com quedas de 33,2% no arroz, 14,4% no milho, 8,6% na soja e 16,8% no trigo, pressionando a rentabilidade do setor primário.

Exportações e mercado de trabalho

No comércio exterior, o Rio Grande do Sul movimentou US$ 9,844 bilhões no primeiro semestre de 2026, um incremento de 4,9% frente ao ano anterior. O setor de produtos alimentícios e agropecuários liderou a alta, com 22,3%, seguido pelos derivados de petróleo, que cresceram 27,4%. A China continua sendo o principal parceiro comercial, embora tenha havido uma redução no volume de importações por parte de grandes mercados como Estados Unidos e Argentina.

No âmbito social, o estado atingiu uma marca histórica: a taxa de desocupação caiu para 4% no primeiro trimestre, o menor índice desde 2012. O rendimento médio real dos trabalhadores também apresentou melhora, subindo 5,5% e chegando a R$ 4.127. Entretanto, o mercado formal registrou o fechamento de 3.474 postos de trabalho no trimestre encerrado em maio, com a agropecuária sendo o setor que mais reduziu vagas, enquanto serviços e indústria mantiveram saldo positivo de contratações.

Perspectivas e desafios para o segundo semestre

A arrecadação de ICMS no primeiro semestre totalizou R$ 27,540 bilhões, uma queda real de 3,2%. O governo estadual esclarece que este resultado é influenciado pela comparação com o programa Refaz Reconstrução, que gerou receitas extraordinárias em 2025. Sem esse efeito, a arrecadação teria superado o desempenho do ano passado em cerca de R$ 500 milhões.

Para o restante do ano, o monitoramento econômico aponta para a importância da recuperação da safra de soja e a manutenção do ritmo industrial. Entre os riscos que podem impactar o crescimento, destacam-se a redução na área plantada de trigo, a volatilidade climática, os juros elevados e as incertezas que rondam o mercado internacional.

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Fonte: agorars.com