Candidata a vice-governadora no Rio Grande do Norte retifica autodeclaração racial após questionamento

Candidata a vice-governadora no Rio Grande do Norte retifica autodeclaração racial após questionamento

Política

Mudança de autodeclaração gera questionamentos no cenário eleitoral

A ex-deputada Larissa Rosado (PSB), que compõe a chapa como candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte ao lado de Cadu Xavier (PT), protagonizou um episódio de alteração em sua autodeclaração racial junto à Justiça Eleitoral. Após ter se registrado como parda para o pleito deste ano, a candidata reverteu a informação para branca, categoria que utilizou em todas as suas candidaturas anteriores.

O movimento chamou a atenção pela proximidade com o período de organização das chapas e a gestão dos recursos partidários. A mudança foi realizada após a candidata ser questionada pela imprensa sobre a divergência em relação ao seu histórico de registros eleitorais. O pedido de retificação foi protocolado por sua defesa poucas horas após o contato da reportagem.

Justificativa e contexto da retificação

Em nota, Larissa Rosado atribuiu a alteração a um erro operacional de sua assessoria no momento do preenchimento dos dados cadastrais. A candidata negou veementemente que a declaração inicial tivesse qualquer intenção de acessar cotas ou benefícios financeiros destinados a candidaturas de pessoas pretas e pardas.

A legislação eleitoral brasileira determina que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) e do Fundo Partidário sejam obrigatoriamente destinados a candidatos autodeclarados pretos ou pardos. A candidata reforçou que nunca se identificou como parda e que a correção foi solicitada imediatamente após a percepção da inconsistência nos documentos oficiais.

Trajetória política e repercussão

Natural de Mossoró, Larissa Rosado possui um longo histórico na política potiguar. Sua carreira inclui quatro mandatos como deputada estadual, exercidos entre 2003 e 2014, além de um retorno à Assembleia Legislativa entre 2017 e 2018. Mais recentemente, a pessebista ocupou o cargo de vereadora em sua cidade natal, após ser eleita em 2020, e participou do pleito para deputada estadual em 2022.

O caso reacende o debate sobre o rigor no preenchimento de dados de identidade racial por parte de figuras públicas. A Justiça Eleitoral tem intensificado a fiscalização sobre as autodeclarações para garantir que a política de cotas cumpra seu papel de promoção da diversidade e equidade na representação política, evitando fraudes que possam desvirtuar o propósito da norma.

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Fonte: redir.folha.com.br