Partido Novo aciona Conselho de Ética do Senado contra Jaques Wagner

Partido Novo aciona Conselho de Ética do Senado contra Jaques Wagner

Política

Representação mira suposta quebra de decoro parlamentar

O partido Novo protocolou formalmente uma representação junto ao Conselho de Ética do Senado Federal, solicitando a abertura de um processo disciplinar contra o senador Jaques Wagner (PT-BA). A legenda fundamenta o pedido na suspeita de quebra de decoro parlamentar, infração que, em casos extremos, pode resultar na cassação do mandato do congressista baiano.

A iniciativa da sigla ocorre na esteira de revelações trazidas por documentos da Polícia Federal. Segundo as investigações, o senador, que na época exercia a função de líder do governo no Senado, teria mantido contato telefônico frequente com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Os registros apontam para pelo menos 74 interações entre os dois.

Detalhes da investigação e uso de recursos

Além das comunicações telefônicas, o material sob análise das autoridades sugere uma relação próxima entre o parlamentar e interesses privados. Os documentos indicam que o senador teria usufruído de jatinhos, recebido presentes e atuado na articulação de encontros entre executivos do banco Master e o seu próprio gabinete em Brasília.

O ministro do STF, André Mendonça, autorizou recentemente medidas de caráter investigativo, incluindo o acesso a registros telefônicos e o monitoramento da localização aproximada de aparelhos vinculados ao senador e a outros alvos da apuração. Para o Novo, a necessidade de tais medidas pelo Supremo reforça a gravidade do cenário e a urgência de uma resposta por parte do Legislativo.

O impasse da instalação do Conselho de Ética

Apesar da ofensiva do partido, o pedido enfrenta um obstáculo institucional imediato: o Conselho de Ética do Senado ainda não foi instalado nesta legislatura. A responsabilidade pela convocação e instalação do colegiado cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a inércia do órgão, classificando a instalação como uma medida urgente. Segundo o parlamentar, o pleno funcionamento do Conselho é indispensável para que representações possam tramitar, fiscalizações sejam efetivadas e os senadores cumpram o papel constitucional de zelar pela ética no exercício da função pública.

Argumentação jurídica e próximos passos

O Novo sustenta que a apuração no âmbito do Senado deve ocorrer de forma independente aos desdobramentos na esfera penal. O objetivo, segundo a legenda, é preservar a credibilidade e a autoridade institucional da Casa Alta. O requerimento pede, além da abertura do procedimento, a requisição de documentos, a produção de provas e a oitiva do senador investigado.

O caso segue como um ponto de atenção no cenário político de Brasília, aguardando definições sobre a pauta administrativa do Senado. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros temas que impactam o Brasil, continue conectado ao Conexrs, seu portal de referência para um jornalismo ágil, contextualizado e comprometido com a transparência.

Fonte: redir.folha.com.br