Prowine 2026: Brasil se destaca em meio a tendências globais do vinho

Prowine 2026: Brasil se destaca em meio a tendências globais do vinho

Economia

Em um cenário onde a Europa e outros polos vitivinícolas tradicionais enfrentam uma queda acentuada no consumo global de bebidas alcoólicas, o Brasil se posiciona como um destino estratégico para o vinho internacional. O evento ProWine São Paulo 2026, que ocorrerá entre os dias 6 e 8 de outubro no Expo Center Norte, reflete esse momentum crescente.

Enquanto grandes feiras europeias revisitam suas estruturas, a ProWine se prepara para um recorde de mais de 2 mil expositores. “O Brasil passou a ser visto por muitos produtores como a solução para o que está restando da produção que os outros países não estão consumindo”, afirma Malu Sevieri, CEO da ProWine São Paulo.

A atração do mercado externo é impulsionada pelo crescimento interno, com o consumo nacional ultrapassando recentemente a barreira de 3 litros per capita. Embora ainda esteja longe dos 62 litros anuais per capita de países como Portugal, esse aumento já posicionou o Brasil e a feira como “as bolas da vez”. Pela primeira vez, o evento, considerado o terceiro maior do mundo, expandirá de um para dois pavilhões, totalizando 36 mil m², um aumento de 64% em relação aos 22 mil m² do ano anterior. Novos expositores se juntam a veteranos, todos com foco na formação do consumidor nacional.

Participante de painel na ProWine São Paulo
Painel na ProWine São Paulo

Aproximando o Brasil de castas internacionais

De acordo com Sevieri, o cenário atual reflete uma população brasileira que ainda está amadurecendo seu relacionamento com o vinho. Ela descreve essa fase como uma “adolescência” do consumo, que ocorre em duas frentes: a introdução de rótulos de entrada e a premiunização de garrafas de maior valor. Essa pluralidade é vista como a chave para um consumidor mais curioso, que se afasta da antiga percepção do vinho como um símbolo de status social.

Como parte desse processo de educação, um dos destaques da ProWine 2026 será a participação de vinícolas alemãs, financiadas pela Secretaria de Agricultura do país, com foco na casta Riesling. Sevieri defende que essa variedade, que combina frescor e valor, é uma opção ideal para o Brasil. No entanto, ela alerta que a abordagem deve ser educativa: “Se você pegar 10 garrafas de Riesling, cada uma terá uma denominação diferente. O brasileiro não vai entender e não vai comprar”, explica. “O Brasil pode ser a solução para a sua vinícola, desde que você eduque as pessoas.”

Colina com vinhedos à beira de um rio na Alemanha
Riesling: variedade amplamente cultivada na Alemanha e no norte da França ganha destaque na ProWine São Paulo 2026

A geopolítica da taça

A estratégia alemã com a Riesling não é um caso isolado. Ela surge em um contexto de queda no alcance de outras feiras do setor ao redor do mundo. A ProWein, realizada em Düsseldorf, na Alemanha, registrou uma diminuição de 26% no número de visitantes em sua última edição, em março. Relatos indicam um comparecimento reduzido e áreas mais silenciosas.

Na busca por novos mercados, produtores globais veem no crescimento brasileiro uma oportunidade de expansão. Um exemplo é a Hungria, que pela primeira vez trará um grupo oficial com quatro produtores focados em vinhos doces de Tokaj, visando preencher uma lacuna no mercado brasileiro para rótulos de sobremesa, atualmente dominados por vinhos do Porto e Sauternes.

O mapa europeu na feira também se expande com a presença de três regiões da Espanha e comitês renovados de Portugal, que continua sendo a maior delegação europeia. Além disso, a Grécia participará com um grupo de sete ou oito produtores, junto com representantes da Romênia e da Geórgia.

Na América do Sul, a ProWine 2026 será palco de uma disputa entre os dois maiores produtores da região. A Argentina, que na edição anterior contou com 90 produtores, verá a reação do Chile, que agora marcará presença com estandes próprios através do grupo Wines of Chile. Após anos focando investimentos nos Estados Unidos, o setor vinícola chileno volta sua atenção para o Brasil, atraído pela recente estabilidade do dólar e pela insegurança comercial no mercado norte-americano.

Expositora na ProWine São Paulo
Em 2026, ProWine cresce e ultrapassa a marca de 2 mil expositores

A formação do consumidor brasileiro

Com o aumento do interesse externo, a produção brasileira também vive um momento decisivo. Na última edição, o Brasil superou Portugal pela primeira vez em número absoluto de expositores. O fortalecimento do setor se dá por uma dinâmica complementar entre a base de massa e a alta gama.

Sevieri destaca a importância do consumo de vinhos de mesa no Brasil, citando marcas como Pérgola, o vinho mais vendido do país, e Góes, que juntos comercializam anualmente 15 e 10 milhões de garrafas, respectivamente. Esses rótulos desempenham um papel central na formação do novo consumidor. “Ninguém começa a tomar café sem açúcar”, compara a executiva.

Embora a ProWine São Paulo seja focada no segmento B2B e em vinhos finos, a expansão da base é essencial para sustentar a premiunização. Essa tendência se reflete em lançamentos de linhas naturais ou rótulos de alto valor agregado, como a linha Wild, da Miolo, que foi um sucesso nas prateleiras e apresentada em edições anteriores do evento.

Desafios e debates no setor

Apesar do crescimento da vitivinicultura nacional, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. A alta carga tributária é uma queixa constante entre os produtores locais, que pedem a reclassificação do vinho de bebida alcoólica para alimento, seguindo o modelo de países europeus.

Esse tema será debatido em um dos painéis centrais do ProWine Fórum, que integra a programação da feira. No dia 8, um workshop abordará a aceleração de negócios no setor, enquanto outros temas relacionados ao ciclo produtivo e de consumo também serão discutidos. Exemplos incluem os terroirs da Chapada Diamantina (BA) e Agreste de Garanhuns (PE), vinhos de influências vulcânicas no Sudeste, e os impactos do uso de medicamentos para emagrecimento, como o Mounjaro, sobre o consumo global de bebidas alcoólicas.

Participantes de painel na ProWine São Paulo
Painel na ProWine São Paulo

O tamanho do negócio

Para lidar com a área expandida de 36 mil m² e gerenciar encontros entre expositores e visitantes, a ProWine 2026 promete ser um marco na vitivinicultura brasileira. Com a participação de produtores de várias partes do mundo e um foco crescente na educação do consumidor, o evento se estabelece como um ponto de encontro vital para o setor.

Os desafios são grandes, mas a oportunidade de crescimento e inovação é ainda maior. O Brasil, com seu mercado em expansão e a crescente curiosidade dos consumidores, pode se tornar um novo polo de referência no cenário vitivinícola global. Acompanhe o NOME_DO_SITE para mais atualizações sobre o mundo do vinho e eventos como a ProWine.

Fonte: seudinheiro.com