Rastreabilidade ganha força no setor cafeeiro para atender mercados globais

Rastreabilidade ganha força no setor cafeeiro para atender mercados globais

Geral

A nova era da transparência na cafeicultura brasileira

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) reafirmou, nesta terça-feira (4), em São Paulo, que o setor cafeeiro nacional está intensificando o uso de tecnologias de rastreabilidade e monitoramento socioambiental. A estratégia visa responder diretamente às crescentes exigências de transparência impostas por mercados internacionais, que demandam garantias rigorosas sobre a origem e a sustentabilidade dos produtos importados.

O tema foi central durante o I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado na Cinemateca Brasileira. O evento destacou como a agenda de direitos humanos e conformidade ambiental deixou de ser uma pauta secundária para se tornar um pilar estratégico na manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro frente à reconfiguração das cadeias produtivas globais.

Tecnologia como ferramenta de conformidade

Para atender a normativas como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), o setor tem investido em ferramentas digitais robustas. O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, ressaltou que a entidade lançou, em 2023, a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. O sistema centraliza dados de exportadores e cruza informações com bases oficiais do governo.

Essa tecnologia permite verificar, com precisão, o cumprimento do Código Florestal, a regularidade fundiária e a ausência de desmatamento. Além disso, o sistema audita o respeito às normas trabalhistas, permitindo rastrear o café até o polígono exato de produção da propriedade rural. A ideia é gerar uma documentação auditável que comprove a integridade de cada lote enviado ao exterior.

Diálogo e boas práticas no campo

Além do monitoramento digital, o Cecafé aposta na capacitação contínua como forma de prevenção. Programas como o Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, buscam disseminar boas práticas trabalhistas em toda a cadeia produtiva. Em 2026, a iniciativa capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos.

O setor também mantém a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura, um fórum que busca alinhar as expectativas entre produtores, trabalhadores e autoridades. Segundo dados apresentados pela entidade, cerca de 99% das inspeções realizadas na cafeicultura brasileira confirmam a conformidade com os padrões internacionais de proteção aos direitos humanos.

O desafio da burocracia e a integração de dados

Durante o encontro, o Cecafé defendeu que o caminho para a eficiência é a integração de bases de dados já existentes no Brasil. O cruzamento de notas fiscais com informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), somado aos dados sobre embargos ambientais e áreas protegidas, é visto como a solução ideal para consolidar as evidências necessárias para a devida diligência.

A entidade orientou compradores internacionais a priorizarem o uso dessas bases oficiais brasileiras, evitando a criação de exigências duplicadas que aumentam a burocracia para os exportadores. A proposta é que a transparência seja alcançada por meio da inteligência de dados, garantindo que o café brasileiro continue sendo referência de qualidade e responsabilidade no mercado global. Para acompanhar mais desdobramentos sobre o agronegócio e as tendências de mercado, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de informação relevante e atualizada.

Fonte: canalrural.com.br