A formalização do desejo de ser um doador de órgãos tornou-se um processo mais acessível e ágil no Brasil. Desde 2024, a implementação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo) permite que qualquer cidadão registre sua vontade de forma gratuita e totalmente digital. A iniciativa, gerida pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), busca reduzir as incertezas que frequentemente cercam o processo de transplantes no país.
O procedimento é realizado por meio da plataforma e-Notariado. Após o preenchimento dos dados pessoais e a escolha de um cartório de notas, o interessado participa de uma videoconferência com um tabelião. Este encontro virtual serve para confirmar a identidade do solicitante e validar a intenção de doação. Uma vez assinado eletronicamente, o documento é integrado à Central Nacional de Doadores de Órgãos, base de dados consultada pelos profissionais do Sistema Nacional de Transplantes.
Adesão e impacto da ferramenta digital
Desde o lançamento da Aedo, 32.587 brasileiros já formalizaram sua intenção de doar. O histórico de adesão mostra 18.659 registros em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 até o momento em 2026. Especialistas apontam que a oscilação nos números pode estar atrelada à intensidade das campanhas de conscientização pública sobre a ferramenta.
Geograficamente, a distribuição das solicitações é ampla, cobrindo todos os estados brasileiros. São Paulo lidera o ranking com 9.399 registros, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). Embora o registro seja um passo importante, ele é apenas uma das etapas para suprir a alta demanda nacional, que hoje contabiliza mais de 49 mil pessoas aguardando por um transplante, sendo a grande maioria, cerca de 45 mil, à espera de um rim.
O papel decisivo da família no processo
Apesar da existência da Aedo, a legislação brasileira mantém a família como a instância final de decisão. Mesmo com a manifestação formal em vida, a retirada de órgãos após o falecimento depende do consentimento dos familiares. Atualmente, a taxa de recusa familiar no Brasil gira em torno de 45%, um número que reflete, muitas vezes, o desconhecimento dos parentes sobre a vontade real do ente querido.
Eduardo Calais, presidente do CNB/CF, reforça que a ferramenta digital atua como um facilitador do diálogo doméstico. Ao formalizar a decisão, o cidadão ganha um argumento concreto para conversar com seus familiares. O objetivo é que, no momento crítico, a família não precise adivinhar a vontade do doador, mas sim honrar uma decisão que já foi comunicada e registrada.
Conscientização no Setembro Verde
O debate ganha força especial durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos. Com o Dia Nacional de Doação de Órgãos celebrado em 27 de setembro, o foco das autoridades de saúde e dos cartórios é incentivar que a população não apenas utilize a tecnologia, mas promova conversas abertas sobre o tema em casa.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
