O cenário para o mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento de reajuste estratégico. Diante de estoques elevados e desafios na capacidade de compra dos consumidores, o banco Safra revisou para baixo o preço-alvo de cinco grandes companhias do setor. A análise reforça que, em um ambiente de juros e demanda voláteis, a seletividade tornou-se a palavra de ordem para investidores que buscam segurança em meio à volatilidade da bolsa.
Desafios operacionais e o acúmulo de estoques
O relatório do Safra indica que o desempenho das vendas de imóveis de médio e alto padrão em 2025 não acompanhou o ritmo acelerado dos lançamentos. Em São Paulo, por exemplo, o volume de lançamentos cresceu 41% no ano passado, enquanto a comercialização recuou 11%. Esse descompasso gerou um aumento de 38% nos estoques, elevando o tempo médio de escoamento das unidades — a chamada cobertura — de 7,3 meses, ao final de 2024, para 11,4 meses ao término de 2025.
A pressão é ainda mais evidente no segmento de luxo, especificamente em empreendimentos acima de R$ 5 milhões. Nesse nicho, o estoque saltou 94%, impulsionado por uma expansão de 169% nos lançamentos de 2025. Para o banco, o setor entra em uma fase de maior seletividade, onde incertezas políticas e econômicas, incluindo o impacto das eleições, podem levar potenciais compradores a adiar decisões de aquisição de imóveis de alto valor.
A relevância estratégica do Minha Casa, Minha Vida
Como contraponto à desaceleração no alto padrão, o banco destaca a importância do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A diversificação para o segmento de baixa renda é vista como uma estratégia de proteção, já que o setor é menos suscetível às oscilações bruscas da economia e oferece resultados mais estáveis.
As empresas favoritas do Safra, como a Cyrela, já possuem cerca de 33% de seus lançamentos voltados ao MCMV, com projeção de chegar a 45% até 2027. Outras companhias, como Moura Dubeux e Lavvi, também seguem movimentos de expansão nessa direção, buscando equilibrar seus portfólios e mitigar os riscos inerentes aos ciclos imobiliários de longo prazo.
Análise das companhias e recomendações
A Cyrela (CYRE3) permanece como a principal escolha (top pick) do banco, apesar do ajuste no preço-alvo de R$ 41 para R$ 38. A tese de investimento baseia-se no alto volume de vendas contratadas, com cerca de 90% das unidades previstas para entrega até 2027 já comercializadas. Já a Moura Dubeux (MDNE3) ocupa a segunda posição, com preço-alvo ajustado para R$ 37, destacando-se por possuir o menor nível de estoque entre as empresas analisadas.
A Eztec (EZTC3), com preço-alvo em R$ 18, mantém recomendação de compra, amparada pela possibilidade de monetização de ativos como as Esther Towers, recentemente locadas ao Itaú Unibanco. Por outro lado, a Lavvi (LAVV3) teve seu preço-alvo reduzido para R$ 14, devido a preocupações com a intensa concorrência em regiões nobres de São Paulo. A Even (EVEN3) é a única do grupo sem recomendação de compra, mantendo-se neutra com preço-alvo de R$ 5, impactada por um estoque de 24 meses de vendas, majoritariamente concentrado no segmento de luxo.
O mercado imobiliário segue como um termômetro importante da economia nacional. Para acompanhar análises aprofundadas sobre o mercado financeiro e o comportamento dos setores produtivos, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar informação contextualizada e relevante para que você tome decisões embasadas em dados e fatos.
Fonte: seudinheiro.com
