A lógica por trás do protecionismo americano
A política econômica de Donald Trump tem na imposição de tarifas a sua ferramenta mais emblemática. Longe de ser um movimento irracional, a estratégia tarifária do presidente dos Estados Unidos possui um método claro, fundamentado em três pilares: a tentativa de substituição de importações, a busca por novas fontes de arrecadação governamental e o uso do protecionismo como instrumento de poder geopolítico. Para a atual gestão, o mercado americano estaria sendo explorado por parceiros comerciais, e a criação de uma “muralha tarifária” seria o caminho para reindustrializar o país, em um aceno nostálgico à era da Tarifa McKinley, de 1890.
Limites da reindustrialização e o desafio inflacionário
A aposta de Trump enfrenta, contudo, a realidade das economias avançadas contemporâneas, que migraram majoritariamente para o setor de serviços e indústrias de alta tecnologia. Sob o atual mandato, o crescimento industrial dos EUA tem sido impulsionado por investimentos em inteligência artificial, enquanto a indústria tradicional segue em declínio. Além disso, a eficácia da medida é questionada por dados concretos: em 2025, o vasto déficit comercial americano registrou uma queda de apenas 0,2%. O efeito colateral mais imediato tem sido a pressão inflacionária, um fenômeno que, historicamente, já custou caro a governos republicanos.
A adaptação do mercado global e a resposta brasileira
O mundo tem reagido ao neoprotecionismo americano através da reconfiguração de suas cadeias de suprimentos e fluxos comerciais. Em vez de isolar a economia dos EUA, a guerra tarifária tem desviado investimentos para outras regiões. Países como a China, longe de reduzir suas exportações, adaptaram-se ao novo cenário, enquanto o Canadá estuda taxar suas próprias exportações de petróleo como forma de retaliação. O Brasil, por sua vez, observa o cenário com cautela, embora o governo tenha optado pelo programa Brasil Soberano 3, que aposta em subsídios internos, uma via que contrasta com a recomendação de especialistas de reduzir tarifas para diversificar mercados.
Geopolítica e a disputa por hegemonia
Mais do que uma questão puramente econômica, as tarifas funcionam como mísseis balísticos na diplomacia de Trump. O objetivo é claro: demonstrar dominância e forçar a submissão de parceiros comerciais. Enquanto nações como a Europa e a Índia, pressionadas por questões de segurança e defesa, acabaram cedendo a acordos desiguais, outros atores globais começam a compreender que a submissão total à Casa Branca apenas convida a novas exigências. A dinâmica atual sugere que a guerra tarifária está longe de um desfecho, moldando as relações internacionais para os próximos anos.
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Fonte: redir.folha.com.br
