Vivara revela estratégia com estoque de ouro e desafios no mercado de joias

Vivara revela estratégia com estoque de ouro e desafios no mercado de joias

Economia

A Vivara (VIVA3), conhecida por suas joias, está passando por um momento crucial em sua gestão de estoque. A varejista, que possui um estoque bilionário de ouro, está agora enfrentando a necessidade de reduzir esse volume, o que, por um lado, libera caixa, mas, por outro, a aproxima de uma decisão difícil: voltar ao mercado para adquirir ouro a preços significativamente mais altos.

Esse estoque, que representa mais de um ano e meio de vendas, foi fundamental para proteger a empresa contra a alta dos metais preciosos. Contudo, a redução desse estoque pode impactar a rentabilidade da companhia, especialmente em um cenário econômico já desafiador para o varejo.

Desde o início de 2026, as ações da Vivara enfrentam uma queda de 31,8%, refletindo a incerteza do mercado e a pressão sobre suas margens de lucro. Entretanto, a empresa ainda possui estratégias para prolongar a utilização do ouro adquirido a preços mais baixos, mas a dúvida persiste: até quando essas táticas serão eficazes?

O baú do tesouro da Vivara

A Vivara sempre manteve uma cobertura de estoque elevada, uma estratégia que se mostra viável no setor de joias. No segundo trimestre deste ano, a empresa reportou 582 dias de estoque, uma redução em relação aos 670 dias do ano anterior. O valor total do estoque é de R$ 1,54 bilhão, com a maior parte em produtos acabados e uma fração em matéria-prima, como ouro e prata.

As tendências em joias de ouro tendem a ser mais duradouras, o que diminui o risco de peças encalhadas. Essa abordagem permitiu à Vivara não apenas resistir a flutuações de mercado, mas também se preparar para uma expansão agressiva de suas lojas.

Expansão das lojas

Em 2024, a Vivara decidiu aumentar ainda mais seu estoque para suportar a abertura de novas lojas. Essa decisão, que inicialmente parecia arriscada, mostrou-se acertada, visto que a cotação do ouro disparou de cerca de US$ 2 mil para quase US$ 4,4 mil.

Atualmente, a empresa conta com 520 pontos de venda e planeja abrir entre 55 a 65 novas lojas em 2026, com foco na marca Life e testando novos formatos de loja.

Arthur Bonifácio, analista de varejo da Eleven Financial, acredita que a Vivara tem potencial para uma expansão ainda maior. Ele ressalta que a empresa conseguiu aumentar suas vendas em lojas já existentes, mesmo com os reajustes de preços.

Transformando o pote de ouro em caixa

Com a necessidade de reduzir o estoque, a Vivara busca retornar a patamares históricos de 400 a 450 dias de estoque até 2027. Essa mudança é crucial, pois o estoque parado representa dinheiro que não está circulando. No segundo trimestre, a empresa conseguiu otimizar R$ 234 milhões ao cortar 88 dias de estoque.

A geração de caixa da Vivara também tem sido robusta, com uma conversão de Ebitda em caixa de 72%, o maior nível para o período. A empresa gerou R$ 261 milhões no primeiro semestre de 2026, um aumento significativo em relação ao ano anterior.

Alta do ouro: e agora?

Com a crescente cotação do ouro, surge a pergunta: o que acontecerá quando o estoque barato acabar? A Vivara tem conseguido adiar esse momento ao reaproveitar ouro de joias antigas, derretendo peças não vendidas para criar novas. Além disso, a empresa implementou um programa de recompra de ouro, incentivando os clientes a trazerem peças não utilizadas em troca de crédito na loja.

Essa estratégia não apenas ajuda a manter o estoque, mas também cria uma relação vantajosa com os consumidores, que se sentem motivados a trocar suas joias antigas por novas.

Repassar o custo do ouro

Embora a Vivara tenha encontrado maneiras de contornar a alta do custo do ouro, a realidade é que, em algum momento, a empresa terá que voltar ao mercado. Analistas alertam que a capacidade de repassar esses custos aos consumidores pode ser um desafio, especialmente em um cenário de juros altos e renda disponível em queda.

Apesar das dificuldades, a Vivara se posiciona como uma marca forte, com espaço para crescer e se adaptar às mudanças do mercado. O futuro da empresa dependerá de sua capacidade de equilibrar a gestão de estoque com as flutuações do preço do ouro e as demandas dos consumidores.

Fonte: seudinheiro.com