Eu sou o mestre de meu destino, eu sou comandante de minha alma (Mandela)
As polêmicas vuvuzelas, cornetas sul-africanas, causam diversas manifestações. Muito se tem escrito a respeito. Mas a maioria se posiciona de forma contrária e pronta. Raros partem a aprofundar o respeito à cultura de um povo.
Um pouco de pesquisa e conhecimento não faz mal a ninguém. Mas o que é vuvuzela? Isizulu é uma das onze línguas faladas na África do Sul. nela encontramos a tradução da expressão vuvuzela, que tem na raiz vuvu o significado de soprar, enquanto o sufixo zela é o objeto comprido, longo.
Os reclamos partiram de grandes redes de televisão europeias. Como sempre por aqui, apenas começaram a repercutir e ampliar o assunto. Aliás, nosso país sempre importou cultura europeia, desdenhando o que vinha naturalmente do nosso povo, como por exemplo, o carnaval. Julio de Castilhos chegou acabar com as cavalhadas porque estas vinham do povo. O que é popular não é cultura, defende os que têm visão à altura da soleira da porta.
Voltando as vuvuzelas, o Comitê Organizador da Copa do Mundo, frente aos reclames das emissoras de televisão e rádio, reuniu-se e estudou o assunto bem decidiu pela manutenção: Elas tem origem nas cornetas que nossos ancestrais usavam para convocar reuniões. Logo, é preciso respeito á cultura de um povo cujo líder.
O berço da humanidade, está comprovado, tem origem no Continente Africano, onde sua gente, apesar de tudo é alegre, dançante e parece perdoar seus algozes em uma atitude de grandeza e amor ao próximo. Um repórter brasileiro, ouvindo uma moça negra em Joanesburgo, perguntou o que significava para ela a realização da Copa do Mundo de Futebol em seu país. A resposta veio rápida, mas profunda em emoção que resume tudo: -Me sinto em liberdade!
Ora, bem sabemos que o apartheid, tanto quanto abolição da escravatura entre nós, acabou de direito, mas não de fato. A verdadeira liberdade ainda precisa ser palmilhada com extremo cuidado. Vejam aqui o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado, mas… sem as cotas. tentar calar as vuvuzelas é atentar contra a cultura de um povo. É amordaçar o grito negro de liberdade.
Trecho do livro de Antônio Carlos Côrtes-Bailarina do Sinal Fechado-pág. 46

