A história da família Usinger, em Arabutã, no Oeste de Santa Catarina, é um retrato fiel da resiliência necessária para transformar a produção rural em um negócio de escala. O que começou em 1994 como uma aposta arriscada em um setor pouco explorado na região, hoje se consolida como uma operação empresarial robusta, que transita entre a tradição familiar e a modernização tecnológica. O caminho, contudo, foi marcado por dívidas, incertezas climáticas e a necessidade de adaptação constante.
Quando os pais de Viviane Usinger decidiram migrar da lavoura de milho e soja para a suinocultura, a iniciativa foi recebida com ceticismo pela comunidade local. A falta de infraestrutura inicial resultou em perdas severas durante o primeiro inverno, forçando a família a buscar novos aportes financeiros para concluir as instalações. Esse período de instabilidade financeira perdurou por décadas, com a dívida inicial sendo quitada apenas em 2018, ano que marcou a transição da gestão para a filha.
A transição para o modelo de gestão empresarial
Ao assumir o comando, Viviane iniciou um processo de modernização focado em climatização e automação, estratégias essenciais para mitigar a escassez de mão de obra no campo. A propriedade, que operava com 500 matrizes, saltou para 1.500, acompanhando a evolução dos protocolos sanitários e de manejo, como o aumento da idade de desmame dos leitões de 21 para 28 dias.
O extensionista de agropecuária André de Oliveira Brito destaca que esse movimento reflete uma mudança estrutural no setor. O perfil do produtor está migrando do modelo estritamente familiar para uma estrutura empresarial, que exige competências em gestão de pessoas, treinamento de equipes e controle de resultados. Atualmente, a granja emprega dez colaboradores, exigindo que a liderança atue muito além do manejo animal.
O papel da tecnologia e o olhar atento do produtor
Apesar do avanço tecnológico, Viviane reforça que a automação não substitui o olhar clínico do produtor. A rotina, que começa às 5h30, é pautada pela observação minuciosa do comportamento dos animais. A identificação precoce de qualquer alteração no apetite ou na movimentação das fêmeas é o diferencial que garante a saúde do plantel e a eficiência produtiva.
Essa dedicação diária, que inclui desde a inseminação até o desmame, é o legado que está sendo transmitido para a terceira geração. Bruno, filho de Viviane e estudante de Agronomia, já integra a rotina da granja. Sua participação em programas de sucessão rural é vista como um passo fundamental para garantir a longevidade do empreendimento iniciado pelos avós.
Desafios e o futuro da sucessão rural
O sucesso da família Usinger não se mede apenas pelo número de matrizes, mas pela capacidade de ter superado momentos em que a receita não cobria sequer os custos básicos de energia elétrica. Esse histórico de superação serve como base para a formação de Bruno, que reconhece na coragem dos avós o alicerce para o negócio atual.
A sucessão, para a família, não é um processo imediato, mas um aprendizado contínuo. Ao integrar o jovem à gestão, a propriedade se prepara para os desafios futuros do mercado de proteína animal, mantendo o equilíbrio entre a tradição que os trouxe até aqui e a inovação necessária para os próximos anos. A trajetória dos Usinger é um exemplo de como o agronegócio brasileiro se reinventa, unindo gerações em torno de um objetivo comum: a sustentabilidade e a eficiência no campo.
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Fonte: canalrural.com.br
