Arroba do boi vive expectativa de alta em setembro com demanda dos EUA e restrições da UE

Arroba do boi vive expectativa de alta em setembro com demanda dos EUA e restrições da UE

Geral

O mercado brasileiro de boi gordo atravessa um período de transição após um mês de agosto marcado pela acomodação nos preços. Após um início de mês com cotações aquecidas, o setor observou uma estabilização, influenciada pela estratégia dos grandes frigoríficos em priorizar animais de confinamentos próprios e parcerias, o que facilitou a composição das escalas de abate e reduziu a pressão sobre a oferta imediata.

Perspectivas de alta impulsionadas pelo mercado norte-americano

Para o mês de setembro, a expectativa entre os analistas é de uma tendência de valorização para a arroba. O principal motor desse otimismo é a flexibilização tarifária para a exportação de cortes do dianteiro bovino do Brasil para os Estados Unidos. O acordo prevê a movimentação de um volume de 300 mil toneladas nos próximos três meses, um fator que deve sustentar a demanda e dar fôlego aos preços internos.

Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o cenário é de cautela, mas com viés positivo. Embora a demanda externa seja um componente de força, o mercado não projeta movimentos explosivos de alta, dada a complexidade do cenário internacional e a necessidade de equilíbrio entre a oferta interna e os compromissos de exportação.

Impacto das novas normas sanitárias da União Europeia

O otimismo com o mercado norte-americano encontra um contraponto importante nas relações comerciais com o bloco europeu. Desde a última quinta-feira (3), o Brasil enfrenta a interrupção dos embarques de carne bovina para a União Europeia. A medida é reflexo direto de mudanças nas normas sanitárias estabelecidas pelo bloco, especificamente no que tange ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Essa restrição atua como um freio para o setor, limitando o potencial de valorização que poderia ser mais acentuado caso os dois grandes mercados estivessem operando em plena capacidade. O mercado agora monitora como os produtores brasileiros se adaptarão às exigências europeias para retomar o fluxo de exportação, enquanto ajusta suas estratégias para o mercado interno e outras praças internacionais.

Dinâmica de preços e o mercado de atacado

Em agosto, o comportamento dos preços refletiu a forte concorrência com outras proteínas, como a carne suína e o frango, que ganharam espaço na mesa do consumidor brasileiro. No atacado, o quarto do dianteiro manteve-se estável em R$ 20 por quilo, enquanto o quarto do traseiro registrou uma queda de 1,89%, fechando o mês a R$ 26 por quilo.

A expectativa para a primeira quinzena de setembro é de uma recuperação nos preços dos cortes, impulsionada pela sazonalidade. A entrada de salários na economia tende a aquecer o consumo das famílias, o que historicamente favorece a demanda por carne bovina. Além disso, o setor já projeta o final do ano, quando a demanda chinesa deve retomar o protagonismo, visando o preenchimento das cotas de exportação para 2027.

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Fonte: canalrural.com.br