A fusão entre a Petz e a Cobasi, que deu origem a uma das maiores potências do varejo pet no Brasil, começa a refletir em números mais robustos no balanço da companhia. Com um fluxo de caixa fortalecido, a pergunta que ecoa entre os acionistas da AUAU3 é inevitável: a empresa está pronta para distribuir dividendos ou recomprar ações? Por enquanto, a resposta da gestão é cautelosa, priorizando o reinvestimento para consolidar a união das marcas.
A administração da companhia defende que o capital disponível pode ser melhor aproveitado na expansão operacional e na captura de sinergias, em vez de ser repassado imediatamente aos investidores. A discussão ganhou tração após o Itaú BBA apontar uma melhora expressiva na conversão de Ebitda em fluxo de caixa livre, levantando o debate sobre a alocação eficiente desse excedente.
Estratégia de crescimento e prioridades financeiras
Para o diretor financeiro e de relações com investidores do Grupo Petz Cobasi, Rafael Siqueira Rodrigues, a prioridade é clara. Em entrevista, o executivo reforçou que a empresa busca oportunidades de investimento com taxas de retorno superiores ao custo de capital que seria aplicado em uma distribuição de dividendos. O foco atual está em acelerar a abertura de lojas, otimizar o braço digital e expandir a oferta de serviços veterinários.
“Estamos olhando, de forma bastante transparente, tentando encontrar formas de investir com uma taxa de retorno que seja superior ao que o investidor teria se hoje a gente distribuísse dividendos”, explicou Rodrigues. Embora a remuneração aos acionistas não esteja descartada no longo prazo, o planejamento estratégico para 2027 segue focado em ganhar mercado e provar a tese de valor da fusão.
O desafio de integrar duas gigantes do varejo
O caminho até a consolidação não foi simples. O processo de fusão, anunciado em abril de 2024, enfrentou um longo período de análise no Cade, com intervenção da Petlove e a exigência de venda de 26 lojas como condição para o aval, concedido apenas em dezembro de 2025. Contudo, o período de espera serviu para que ambas as empresas organizassem suas operações internas.
Ajustes no controle de estoques e na gestão de prazos com fornecedores adicionaram cerca de R$ 200 milhões ao caixa de cada operação em 2025. Esse rigor financeiro elevou a conversão de Ebitda em fluxo de caixa livre para 80% nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, um salto expressivo frente à média de 10% registrada em 2024.
Expansão física e o modelo de lojas menores
A estratégia de expansão da Petz Cobasi para os próximos anos aposta em um formato de loja mais enxuto. Enquanto o mercado se acostumou com as grandes unidades de bandeira, a companhia agora prioriza espaços entre 500 e 700 metros quadrados. Esse modelo exige menos capital para reforma e facilita a penetração em cidades do interior, onde a empresa busca capilaridade.
As unidades físicas desempenham um papel duplo: além do atendimento presencial, funcionam como mini centros de distribuição para o e-commerce, que já representa 40,6% das vendas totais. Com a meta de abrir cerca de 30 lojas anuais no médio prazo, a empresa busca se diferenciar de gigantes como o Mercado Livre através de serviços especializados, como hospitais 24 horas e planos de saúde pet.
Resiliência do setor pet frente à economia
Em um cenário de varejo desafiador, o segmento pet mantém uma resiliência característica. A fidelidade dos tutores a marcas de ração e a necessidade contínua de cuidados veterinários criam uma barreira natural contra a crise. Para a companhia, o momento é de aproveitar a musculatura adquirida com a fusão para ganhar participação de mercado, que hoje gira em torno de 15%.
A empresa encerrou o primeiro semestre com receita bruta de R$ 4,1 bilhões, um crescimento de 8,7% na comparação anual. Enquanto o mercado observa com cautela o sucesso de grandes fusões — especialmente após o desmembramento recente da Azzas —, a Petz Cobasi trabalha para provar que a união de suas operações é, de fato, um casamento que dará frutos duradouros.
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Fonte: seudinheiro.com
