O agronegócio brasileiro, pilar central da economia nacional, parece estar deixando para trás um ciclo desafiador de três anos marcado por instabilidades climáticas, tensões geopolíticas globais e um ambiente de juros elevados. Segundo análise recente do JP Morgan, o setor caminha para uma fase de recuperação, e a gigante de grãos SLC Agrícola (SLCE3) surge como a principal aposta do banco para capturar essa retomada.
A instituição financeira elevou a recomendação das ações da companhia de neutro para compra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 23 para o final de 2027. Considerando o último fechamento de R$ 16,85, a projeção aponta para um potencial de valorização de 36,5%. O otimismo do banco baseia-se em uma leitura de que o mercado ainda não precificou integralmente a melhora nas margens da empresa.
O que pode impulsionar a rentabilidade da SLC Agrícola, segundo o JP Morgan
A tese do JP Morgan para a SLC Agrícola repousa sobre a dinâmica de oferta e demanda global por commodities. Com estoques de soja e milho apertados nos Estados Unidos e uma demanda chinesa que demonstra resiliência, os preços dos grãos tendem a encontrar suporte em patamares elevados. A empresa, que possui forte atuação no cultivo de soja, algodão e milho, está posicionada para se beneficiar desse cenário.
O banco destaca que a produtividade das lavouras norte-americanas tem enfrentado dificuldades, com uma parcela menor de plantações classificadas como de qualidade boa ou excelente. Esse quadro, somado ao aumento do esmagamento de grãos pela China para atender à produção de ração e biocombustíveis, cria um ambiente favorável para as exportações brasileiras, que ganham relevância diante da escassez de excedentes em outros grandes produtores.
Além disso, o mercado interno brasileiro também deve contribuir para a valorização dos preços. A expansão da indústria de etanol de milho tem absorvido parte da produção nacional, o que, aliado a um calendário de plantio mais restrito no Norte do país, deve limitar a disponibilidade para exportação e pressionar as cotações para cima.
Custos sob controle melhoram a rentabilidade
Um dos pontos críticos para o agronegócio nos últimos anos foi a volatilidade dos custos de insumos, como fertilizantes e pesticidas, que representam cerca de 40% dos gastos operacionais da SLC Agrícola. A instabilidade gerada por conflitos no Oriente Médio, que impactou o preço do petróleo e, consequentemente, dos derivados usados no campo, trouxe preocupações significativas ao setor.
Contudo, o cenário atual é de alívio. Os preços desses insumos retornaram aos patamares observados antes do início das tensões geopolíticas. A estratégia da companhia de realizar compras parceladas de fertilizantes e defensivos permitiu que os custos crescessem abaixo da inflação, protegendo as margens operacionais. Para a próxima safra, a empresa já garantiu a maior parte de seus insumos, o que confere maior previsibilidade financeira.
Fatores internos e perspectivas de mercado
Para além das variáveis globais, o JP Morgan aponta para uma melhora na estrutura de capital da companhia. A projeção é de que a alavancagem da SLC Agrícola recue para 2,0 vezes ao final de 2027, impulsionada pelo aumento do Ebitda e pela redução planejada de investimentos. Esse movimento deve resultar em uma geração de caixa mais robusta.
O banco também observa que o mercado já incorporou os riscos climáticos, como o fenômeno El Niño, nas cotações atuais. Com o fim do ciclo de crise, a expectativa é que a empresa consiga consolidar sua posição de liderança, aproveitando a eficiência operacional para entregar resultados superiores aos dos anos anteriores. Acompanhe as movimentações do setor no Conexrs para entender como as oscilações do mercado financeiro e as tendências do agronegócio impactam o seu patrimônio e as oportunidades de investimento.
Fonte: seudinheiro.com
