Banco do Brasil expande presença na Argentina com aquisição de ativos do Banco Industrial

Banco do Brasil expande presença na Argentina com aquisição de ativos do Banco Industrial

Economia

Enquanto o mercado financeiro debate a capacidade de capital do Banco do Brasil (BBAS3), a instituição estatal sinalizou uma estratégia de expansão internacional. Em vez de reduzir sua exposição ao mercado externo, o banco optou por injetar novos recursos na Argentina, consolidando sua operação local através do Banco Patagonia, controlado em cerca de 80% pelo BB.

A movimentação ocorre por meio da aquisição de uma parcela relevante do negócio de varejo do Banco Industrial (Bind). A operação, que ainda depende de aprovações regulatórias, tem conclusão prevista para o início de 2027 e visa fortalecer a capilaridade do Patagonia em regiões urbanas e produtivas estratégicas do país vizinho.

Expansão e consolidação da rede no mercado argentino

O acordo firmado entre as instituições prevê a transferência de ativos e passivos específicos, incluindo 28 agências, além de uma base de aproximadamente 200 mil clientes. Com essa integração, o Banco Patagonia, que já opera com mais de 1 milhão de clientes e 200 pontos de atendimento, ganha escala significativa no varejo argentino.

É importante ressaltar que a transação não envolve a compra integral do Bind. O banco vendedor manterá seu foco em operações corporativas, gestão de caixa, investimentos e serviços de banking as a service (BaaS). A unidade localizada na Avenida Santa Fe 880, em Buenos Aires, permanecerá sob o controle do Bind, ficando fora do escopo da negociação.

Visão estratégica do Banco do Brasil sobre o Patagonia

Embora o valor oficial da operação não tenha sido divulgado, estimativas da imprensa local apontam para um montante próximo a US$ 60 milhões, ou cerca de R$ 306 milhões. Para analistas do Citi, o impacto financeiro direto é moderado, mas o peso estratégico da decisão é elevado, pois indica que o BB enxerga o Patagonia como uma plataforma de crescimento e não como um ativo para desinvestimento.

Essa leitura afasta, ao menos momentaneamente, a expectativa de que o Banco do Brasil utilize a unidade argentina como fonte de capital imediato, seja por meio de dividendos extraordinários ou venda de participação. A estratégia reafirma o compromisso do banco estatal com a manutenção e o fortalecimento de sua presença na região.

Análise de fundamentos e rentabilidade do negócio

Do ponto de vista financeiro, a aquisição é vista como uma oportunidade de melhorar os indicadores do Patagonia. Enquanto o banco controlado pelo BB apresenta um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 8,7% e inadimplência de 3%, a operação de varejo do Bind adquirida possui um ROE de 17,1% e histórico de baixa inadimplência.

O Citi avalia que o negócio foi fechado a um múltiplo de 1,1 vez o valor patrimonial (P/BV), considerado razoável para a qualidade dos ativos incorporados. Além disso, a transação consome menos de 5% do patrimônio líquido do Patagonia, garantindo que a saúde financeira da instituição argentina permaneça preservada após o investimento. Para mais detalhes sobre o cenário do setor, leia a análise completa sobre o Banco do Brasil.

Fonte: seudinheiro.com