Em uma nova ofensiva articulada no cenário político de Brasília, parlamentares da oposição formalizaram um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitando o arquivamento do inquérito das fake news. A medida ocorre em um momento de transição na relatoria do processo, que anteriormente estava sob a responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.
A iniciativa foi liderada pelo partido Novo, que também buscou, em paralelo, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O documento protocolado pela oposição não se limita ao pedido de encerramento das investigações, mas também exige a imediata retirada do sigilo sobre procedimentos conexos e provas já documentadas nos autos.
Articulação política e questionamentos jurídicos
O ofício entregue à presidência da Corte conta com a assinatura de figuras expressivas da oposição, incluindo os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto (PL-PB), além do senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro. A estratégia busca capitalizar o momento de mudança na condução do inquérito para questionar a longevidade e o escopo das investigações.
Entre os principais argumentos apresentados pelos parlamentares está a duração do inquérito, que já perdura por sete anos. Segundo os signatários, o processo teria sido expandido de forma irregular ao longo dos anos, incorporando novas frentes de apuração sem que houvesse uma alteração formal na relatoria, o que, na visão da oposição, comprometeria a segurança jurídica.
Expansão do inquérito e críticas ao STF
O texto protocolado aponta que o inquérito das fake news teria alcançado ao menos 21 investigações tratadas como conexas. Entre elas, destaca-se a apuração sobre os atos de 8 de janeiro e a recente controvérsia envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal, episódios que, segundo os críticos, intensificaram a crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário.
O deputado Marcel Van Hattem classificou o inquérito como um instrumento de perseguição política. “Esse inquérito fake segue sendo usado para perseguir, intimidar e tentar calar quem denuncia os escândalos dos intocáveis do STF. É um instrumento típico de regime de exceção, sem prazo para acabar”, afirmou o parlamentar, que é candidato ao Senado.
Reação do partido Novo e expectativas
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, manifestou-se sobre o desdobramento, avaliando que a movimentação reorganiza o debate político, embora mantenha pontos de insatisfação. Ribeiro criticou a permanência de Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e reforçou a necessidade de uma definição clara sobre o futuro dos processos conduzidos por Alexandre de Moraes.
A oposição sustenta que a manutenção de investigações sem prazo determinado fere princípios constitucionais. O desfecho dessa solicitação depende agora da análise de Edson Fachin, que assumiu a relatoria em um cenário de alta tensão entre os Poderes. Para mais detalhes sobre o andamento dos processos na Corte, consulte o portal oficial do STF.
Fonte: redir.folha.com.br
