STF proíbe Mário Frias de sair do país em investigação sobre desvio de verbas

STF proíbe Mário Frias de sair do país em investigação sobre desvio de verbas

Política

Medida cautelar do STF mira parlamentar em apuração sobre emendas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de saída do país para o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A decisão integra uma operação que investiga o uso de emendas parlamentares destinadas a ONGs e entidades ligadas à produção do filme “Dark Horse”, obra que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A medida foi tomada no âmbito de uma investigação que apura possíveis crimes de desvio de recursos públicos federais, fraude em licitações, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O magistrado justificou a restrição de viagem citando a necessidade de assegurar a eficácia da persecução penal, diante de indícios de uma estrutura financeira complexa envolvendo pessoas físicas e jurídicas inter-relacionadas.

Dino aponta risco de evasão e cita histórico recente

Ao fundamentar a proibição, o ministro Flávio Dino destacou que o parlamentar teria retardado a prestação de informações à Justiça justamente por estar em viagem internacional. O episódio exigiu, segundo o relator, a formalização de pedidos junto à presidência da Câmara dos Deputados para garantir o prosseguimento das diligências.

O ministro enfatizou que o cenário político atual exige cautela, afirmando que não se pode ignorar que a evasão internacional tem sido uma estratégia cogitada por parlamentares investigados. Embora não tenha citado nomes nominalmente, a decisão faz referência ao contexto de figuras políticas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro que enfrentam processos no Supremo Tribunal Federal.

Estrutura financeira sob suspeita da Polícia Federal

Além da restrição imposta ao deputado, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas à produtora do filme, incluindo Karina Gama, da Go Up Entertainment. A investigação aponta para a existência de uma sofisticada rede de circulação de valores entre entidades e empresas, com indícios de utilização de companhias sediadas no exterior, como a Go Up Entertainment LLC.

A apuração busca esclarecer como os recursos das emendas parlamentares, de autoria de Mário Frias, foram geridos e se houve o desvio de finalidade na aplicação das verbas públicas. Até o momento, a defesa do deputado não foi localizada para comentar a decisão, e a representação da produtora não se manifestou sobre as acusações.

Contexto e desdobramentos da investigação

O caso “Dark Horse” coloca sob o foco do Judiciário a fiscalização sobre o destino de emendas parlamentares, um tema recorrente nos debates sobre transparência e controle de gastos públicos no Brasil. A atuação do STF reforça a postura da Corte em monitorar de perto parlamentares que possuem processos em curso, visando impedir que viagens internacionais dificultem a colheita de provas ou a aplicação da lei.

O Conexrs segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos do inquérito no Supremo Tribunal Federal. Para manter-se informado sobre os principais fatos da política nacional e regional, continue acompanhando nosso portal, onde prezamos pela apuração rigorosa e pela contextualização dos temas que impactam o cotidiano dos brasileiros.

Fonte: redir.folha.com.br