Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino em julho, revelou o direcionamento de R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares de autoria dos deputados federais Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) para entidades ligadas a uma produtora cinematográfica. O documento serviu como base para a investigação da Polícia Federal que resultou na operação deflagrada nesta quinta-feira (10).
O fluxo das verbas parlamentares
A auditoria detalha que os recursos foram destinados à Academia Nacional de Cultura (ANC), instituição presidida por Karina Gama. Ela é a proprietária da produtora Go Up, empresa responsável pela realização do filme Dark Horse, obra que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante identificado pela CGU faz parte de um conjunto maior de repasses sob análise das autoridades.
Ao todo, a CGU identificou que quatro parlamentares destinaram R$ 3,6 milhões à ANC para financiar projetos culturais, como a série “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende” e o musical “Amor Ainda É Tudo”. Desse montante, Carla Zambelli foi responsável pelo repasse de R$ 2 milhões, enquanto Alexandre Ramagem destinou R$ 500 mil. Os valores restantes foram viabilizados pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF).
Irregularidades e análise técnica
A avaliação técnica da CGU apontou falhas significativas na condução dos processos. Segundo o órgão, os planos de trabalho apresentados pelas entidades não possuíam a elaboração necessária, e as análises dos órgãos concedentes não demonstraram o devido saneamento de lacunas antes da formalização dos contratos. A falta de robustez técnica nos projetos foi um ponto central na auditoria.
Apesar da destinação das emendas, o relatório indica que as parcerias com a ANC não foram concluídas. Em um posicionamento enviado em agosto, o governo de São Paulo, que seria o destino final das transferências, alegou a existência de “impedimentos técnico-jurídicos” para a execução das metas, optando pelo cancelamento da continuidade dos projetos.
Desdobramentos da operação policial
Além dos valores citados, a investigação da Polícia Federal e da CGU identificou o repasse de outros R$ 2 milhões em emendas de autoria do deputado Mário Frias (PL-SP) para uma entidade distinta, também presidida por Karina Gama. O parlamentar foi um dos alvos da operação realizada nesta quinta-feira, que busca esclarecer a legalidade e a finalidade dos contratos firmados entre o poder público e a produtora.
O caso segue sob apuração do STF, com o suporte de órgãos de controle que monitoram o uso das chamadas “emendas Pix”. O Conexrs continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação, mantendo o compromisso com a transparência e a apuração rigorosa dos fatos que envolvem o uso do dinheiro público no cenário político nacional. Siga nossa cobertura para se manter informado sobre este e outros temas relevantes para o país.
Fonte: redir.folha.com.br
