Saúde ocular: entenda a periodicidade ideal para consultas com oftalmologista

Saúde ocular: entenda a periodicidade ideal para consultas com oftalmologista

Saúde

A importância do diagnóstico precoce para a saúde visual

A manutenção da saúde dos olhos vai muito além da simples correção de grau para enxergar melhor. O acompanhamento regular com um médico oftalmologista é a estratégia mais eficaz para prevenir a cegueira e identificar, em estágios iniciais, doenças que evoluem de forma silenciosa. Um novo documento técnico, apresentado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante o 70º Congresso da especialidade em Salvador, reforça que a periodicidade das consultas deve ser personalizada, levando em conta a faixa etária e o histórico clínico de cada paciente.

O CBO destaca que a visão é um dos sentidos mais impactados pelo envelhecimento e por condições crônicas. Muitas patologias, quando diagnosticadas tardiamente, podem levar a danos irreversíveis. Por isso, estabelecer uma rotina de cuidados não é apenas uma recomendação médica, mas uma necessidade social para garantir a qualidade de vida e a autonomia dos cidadãos em todas as fases da vida.

Cronograma de cuidados por faixa etária

O cuidado com a visão deve começar logo nos primeiros dias de vida. O famoso “teste do reflexo vermelho”, realizado ainda na maternidade, é o primeiro filtro para detectar anomalias congênitas graves, como catarata e glaucoma. Entre os 6 e 12 meses, a criança deve passar pela primeira consulta oftalmológica completa. Este acompanhamento é fundamental, pois erros de refração não corrigidos na infância são a principal causa de deficiência visual entre os brasileiros, afetando diretamente o aprendizado e a socialização.

Na fase escolar e na adolescência, o monitoramento deve ser mantido, especialmente devido ao aumento global na incidência de miopia. Para adultos até os 39 anos, mesmo a ausência de sintomas não dispensa a avaliação periódica. Já a partir dos 40 anos, a frequência deve ser anual. Nessa etapa, a prevalência de doenças como o glaucoma cresce significativamente, e a presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada, torna-se uma realidade que exige acompanhamento profissional para o ajuste correto da visão.

Fatores de risco e doenças crônicas

A presença de comorbidades exige um rigor redobrado. Pacientes com diabetes, por exemplo, enfrentam um risco muito maior de desenvolver retinopatia diabética, uma complicação que pode levar à cegueira se não for monitorada com exames de fundo de olho sob dilatação. O CBO orienta que esses pacientes mantenham um acompanhamento constante, independentemente de sentirem qualquer alteração na acuidade visual.

Outros grupos que demandam atenção especial incluem pessoas com histórico familiar de glaucoma ou doenças genéticas, usuários de lentes de contato, pacientes em uso prolongado de corticoides e até mesmo usuários de medicações para emagrecimento, que têm sido estudadas por possíveis associações com neuropatias ópticas. Nesses casos, o intervalo entre as consultas não segue um padrão fixo, sendo definido exclusivamente pelo médico após uma avaliação individualizada dos riscos.

Estrutura e segurança no atendimento

O CBO enfatiza que a qualidade do diagnóstico depende não apenas da habilidade do profissional, mas também do ambiente onde o exame é realizado. Consultórios e clínicas devem seguir rigorosamente as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo que os equipamentos e as condições sanitárias sejam adequados para procedimentos precisos. A realização de exames em locais sem a devida infraestrutura pode comprometer a segurança do paciente e a acurácia dos resultados.

Com cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas no Brasil, o país enfrenta o desafio de uma população que envelhece rapidamente. Como as principais causas de cegueira — catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular — estão ligadas ao avanço da idade, a conscientização sobre a prevenção torna-se o pilar central para reduzir esses números. O acesso ao oftalmologista no tempo certo é, comprovadamente, a forma mais eficaz de evitar que condições tratáveis se transformem em limitações permanentes.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br