O mercado brasileiro de soja registrou um dia de preços firmes e movimentação aquecida nesta quinta-feira (10). O cenário foi ditado pelo forte desempenho das cotações na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), que, somado à escassez de produto disponível para comercialização no território nacional, forçou uma valorização nos principais polos produtores e portos do país.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a dinâmica atual é marcada por uma retração dos produtores, que possuem pouca disponibilidade de grãos em mãos. Essa postura, aliada à necessidade constante de abastecimento por parte dos compradores, mantém a estrutura de preços em patamares elevados, com destaque para o forte basis local, especialmente em regiões onde a paridade de exportação foi superada.
Impacto da escassez nas regiões produtoras
A oferta interna encontra-se bastante reduzida, refletindo o esgotamento dos estoques após o ciclo de comercialização. Em estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, o volume de soja disponível é mínimo. No Matopiba, a situação é ainda mais restrita, com as atenções do mercado já voltadas quase exclusivamente para as negociações da safra nova.
Embora o dia tenha registrado um volume de negócios superior a sessões anteriores, a atividade concentrou-se majoritariamente nos portos, como Rio Grande e Paranaguá. No mercado interno, a originação permanece lenta, com um spread elevado entre as expectativas de venda dos produtores e as ofertas de compra, o que limita a liquidez imediata.
Cenário internacional e a influência de Chicago
Em Chicago, os contratos futuros da soja encerraram o pregão com valorizações expressivas, alcançando os melhores níveis dos últimos três anos. O otimismo no mercado externo foi sustentado por dois pilares: a demanda aquecida da China pelo produto norte-americano e a alta nos preços do petróleo, que influencia diretamente os custos de produção e logística.
Dados da agência Reuters indicam que a China adquiriu cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos apenas nesta semana. O movimento é visto como uma antecipação estratégica antes da visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington. Essas compras reforçam o compromisso de Pequim em cumprir acordos comerciais de longo prazo, mantendo a pressão compradora sobre os estoques dos EUA.
Expectativas para o relatório do USDA
O mercado global aguarda com expectativa o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Analistas projetam que o órgão deve indicar um corte nas estimativas de safra e nos estoques de passagem para o ciclo 2026/27. A previsão é de que a produção norte-americana seja revisada para 4,492 bilhões de bushels, ante os 4,519 bilhões projetados em agosto.
Para o quadro mundial, a expectativa é de uma redução nos estoques finais de 2026/27, que devem recuar para 123,1 milhões de toneladas. Esse ajuste, caso confirmado, tende a manter a volatilidade e o viés de alta nos preços internacionais, refletindo diretamente na rentabilidade do produtor brasileiro que ainda possui excedentes para comercializar.
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Fonte: canalrural.com.br
