A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou sua participação na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre no Distrito Anhembi. A decisão, tomada nesta sexta-feira (11), ocorre em um momento de instabilidade institucional, com a corte enfrentando uma das crises internas mais agudas desde a redemocratização do país.
A magistrada tinha uma agenda dupla confirmada no evento literário. Ela participaria de um encontro com a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz e realizaria o lançamento oficial do livro infantojuvenil O Livro da Democracia, obra escrita em parceria com a jornalista Mariana Oliveira. De acordo com a organização da Bienal, a ministra deverá enviar um vídeo gravado para ser exibido ao público em substituição à sua presença física.
Contexto de instabilidade no Supremo Tribunal Federal
O afastamento de Cármen Lúcia dos compromissos públicos coincide com o agravamento de tensões internas no STF. O tribunal está sob os holofotes após a divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no chamado Caso Master. O conteúdo das conversas ganhou repercussão nacional após o ministro André Mendonça, relator do processo, decidir pelo levantamento do sigilo dos autos.
A exposição das mensagens deflagrou uma guerra de narrativas dentro da corte, evidenciando uma divisão clara entre os ministros. O cenário de crise, que já respinga no Poder Legislativo com movimentações e ameaças de pedidos de impeachment no Senado, coloca o STF em uma posição de vulnerabilidade política. A expectativa agora recai sobre a sessão decisiva marcada pelo presidente da corte, Edson Fachin, para a próxima terça-feira (15), quando o tribunal deve deliberar sobre os desdobramentos do caso.
Impacto na programação da Bienal do Livro
A ausência da ministra é uma baixa significativa para a programação da Bienal. Cármen Lúcia vinha sendo tratada como uma das principais atrações desta edição, especialmente após o sucesso de público registrado em sua participação na Flip, em julho deste ano. Na ocasião, a magistrada foi entrevistada pela jornalista Paula Miraglia e recebeu demonstrações de apoio popular, sendo ovacionada nas ruas de Paraty.
Além do cancelamento da ministra, a organização da Bienal também registrou a ausência da biógrafa Leslie-Ann Jones, autora da obra sobre o cantor Freddie Mercury. O motivo, neste caso, foi logístico, decorrente de problemas no tráfego aéreo no Reino Unido. A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue com suas atividades no Anhembi até o próximo domingo (13).
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Fonte: redir.folha.com.br
