Ferrogrão ganha destaque no GAFFFF 2026 em meio a novos avanços logísticos

Ferrogrão ganha destaque no GAFFFF 2026 em meio a novos avanços logísticos

Geral

A viabilização da Ferrogrão (EF-170) voltou ao centro das discussões estratégicas para o agronegócio brasileiro. Com o recente aval do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou constitucional a Lei nº 13.452/2017 sobre os limites do Parque Nacional do Jamanxim, o projeto que promete transformar o escoamento de grãos no país ganha novo fôlego e será um dos temas centrais do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026.

Avanços jurídicos e próximos passos da concessão

A decisão do STF em maio deste ano removeu um dos principais obstáculos legais que travavam o avanço da ferrovia. Com o cenário jurídico mais claro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) intensificou os trabalhos para a atualização dos estudos de viabilidade e dos documentos da concessão. O objetivo é submeter a documentação revisada ao Tribunal de Contas da União (TCU), etapa fundamental antes da publicação do edital e da realização do leilão.

A Ferrogrão é projetada para conectar Sinop, no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará, abrangendo uma extensão de cerca de 933 quilômetros. A infraestrutura é vista como um divisor de águas para integrar a produção do Centro-Oeste ao sistema hidroviário do Tapajós e, consequentemente, aos portos do Arco Norte, otimizando o fluxo de exportação.

Desafio logístico e dependência rodoviária

O projeto ganha relevância em um momento em que o Brasil busca reduzir sua histórica dependência do transporte rodoviário. Dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelam que, em 2023, 54% da soja exportada pelo Brasil chegou aos portos via caminhões. Em contrapartida, apenas 33% utilizaram ferrovias e 12% hidrovias.

O contraste com outras potências agrícolas é evidente. Nos Estados Unidos, a matriz de transporte é mais diversificada, com apenas 14% das exportações de soja dependentes de rodovias, enquanto 38% seguem por ferrovias e 48% por barcaças. A China também apresenta um modelo distinto, onde as hidrovias dominam o transporte de cargas, evidenciando o potencial de ganho de eficiência que o Brasil pode alcançar com investimentos estruturantes.

Impacto na competitividade do agronegócio

Segundo projeções do Ministério dos Transportes, a Ferrogrão terá capacidade para transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas anualmente. A implementação da ferrovia deve aliviar significativamente a pressão sobre a BR-163, reduzindo custos de frete e aumentando a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

O debate sobre esses caminhos logísticos será aprofundado no Painel 13C do GAFFFF 2026, intitulado “Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção”. A mediação ficará a cargo de Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA. O evento, que ocorre nos dias 1º e 2 de outubro no Nubank Parque, em São Paulo, reunirá especialistas para traçar os próximos passos do setor.

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Fonte: canalrural.com.br