Queda no preço da energia traz alívio imediato, mas El Niño impõe cautela até 2027

Queda no preço da energia traz alívio imediato, mas El Niño impõe cautela até 2027

Economia

As chuvas que atingiram o Sudeste e o Centro-Oeste nos primeiros dias de setembro trouxeram um fôlego necessário ao setor elétrico brasileiro. O aumento das precipitações elevou o nível dos reservatórios das hidrelétricas, garantindo uma oferta mais confortável no curto prazo e provocando uma queda imediata nas cotações da energia no mercado livre. O cenário, contudo, é visto com cautela por especialistas, que apontam o fenômeno El Niño como um fator de incerteza para o final do ano e o início de 2027.

A diferença entre o otimismo atual e a preocupação futura já se reflete nas negociações financeiras. Na plataforma BBCE, o megawatt-hora (MWh) para entrega em setembro recuou para cerca de R$ 147, patamar inferior aos R$ 164/MWh registrados na semana anterior. Para o primeiro trimestre de 2027, os contratos ainda sinalizam preços mais elevados, na casa dos R$ 288/MWh, evidenciando que o mercado precifica riscos climáticos e o aumento da demanda por eletricidade.

Impacto das chuvas nos reservatórios nacionais

O Sudeste e o Centro-Oeste funcionam como a principal caixa d’água do sistema elétrico nacional, concentrando a maior parte da capacidade de armazenamento das hidrelétricas. Por isso, qualquer variação no regime de chuvas nessas regiões reverbera diretamente na segurança energética do país. Segundo Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, o início da estação úmida está sendo impulsionado pelo El Niño, mas a regularidade dessas chuvas é a grande incógnita para os próximos meses.

O especialista alerta que, conforme o calendário avança em direção a dezembro, a tendência é de maior irregularidade nas precipitações. A combinação de períodos mais secos com temperaturas elevadas — que naturalmente elevam o consumo de energia — cria um cenário desafiador. A Energia Natural Afluente (ENA), indicador fundamental para medir o potencial de geração das usinas, pode sofrer quedas significativas se o padrão climático não se mantiver constante.

Volatilidade e o papel das térmicas

Para Mateus Nunes, head de Planejamento Energético da Tempo OK, a complexidade operacional deve aumentar. A distribuição geográfica das chuvas será determinante: enquanto setembro favorece os reservatórios do Sudeste, a expectativa é que, em outubro e novembro, a umidade fique mais restrita à bacia do Paraná. Essa alternância exige uma gestão rigorosa para evitar o acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo de geração mais elevado e impactam diretamente o preço final da energia.

Nem todos os analistas, porém, adotam um tom pessimista. Alexandre Nascimento, da Nottus, destaca que modelos meteorológicos internacionais indicam a continuidade de chuvas acima da média em estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul até o final do ano. Para ele, os episódios de calor extremo têm sido pontuais, o que pode mitigar parte da pressão sobre o sistema elétrico nacional.

Monitoramento estratégico até 2027

A inteligência de mercado do Grupo Bolt, representada pelo especialista Matheus Machado, reforça que a bacia do Paraná será o ponto focal para o setor. Com cerca de 75% da ENA do subsistema Sudeste/Centro-Oeste concentrada nessa região em outubro, a capacidade de geração dependerá quase inteiramente da regularidade climática local. Qualquer interrupção nas chuvas pode provocar uma reação rápida nos preços, dada a sensibilidade do mercado atual.

O setor elétrico segue em uma fase de transição, onde o alívio momentâneo das chuvas de setembro é apenas uma variável em uma equação muito maior. O acompanhamento constante da demanda e da oferta será vital para entender como o Brasil atravessará o próximo ciclo. Para se manter informado sobre as movimentações do mercado de energia e outros temas essenciais para o país, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência em notícias contextualizadas e análises aprofundadas.

Fonte: seudinheiro.com