Safra recorde de algodão supera 4,1 milhões de toneladas e pressiona preços no Brasil

Safra recorde de algodão supera 4,1 milhões de toneladas e pressiona preços no Brasil

Agro

O cenário para o setor algodoeiro brasileiro na temporada 2025/26 apresenta um contraste marcante entre a eficiência no campo e os desafios do mercado financeiro. Enquanto as lavouras alcançam patamares históricos de produtividade, superando a marca de 4,1 milhões de toneladas de pluma, o valor comercial do produto enfrenta uma trajetória de queda. Esse movimento é impulsionado por uma demanda interna e externa que ainda caminha em ritmo lento, gerando um excedente que pressiona as cotações nas principais praças produtoras do país.

De acordo com dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de pluma foi estimada em 4,143 milhões de toneladas. O número representa um avanço significativo em relação ao ciclo anterior, consolidando o Brasil como um dos grandes protagonistas globais do setor. No entanto, o excesso de oferta, somado à cautela das indústrias têxteis, criou um ambiente de baixa liquidez, onde compradores e vendedores travam uma queda de braço sobre os valores praticados.

Retração nos preços e cautela na indústria têxtil

Nas últimas semanas, o mercado físico de algodão registrou uma desvalorização contínua. Em São Paulo, um dos principais centros de consumo industrial, a pluma foi cotada a R$ 4,29 por libra-peso, o que equivale a aproximadamente R$ 141,87 por arroba. Esse valor representa uma queda semanal de 1,61%, refletindo o desinteresse das indústrias em fechar grandes lotes neste momento. As empresas têm optado por aquisições pontuais, focadas apenas na manutenção imediata de seus estoques, aguardando sinais mais claros da economia global.

Em Mato Grosso, o maior estado produtor do país, a situação não é diferente. Na região de Rondonópolis, a pluma encerrou o período cotada a R$ 138,04 por arroba. A desvalorização de quase um real por arroba em apenas sete dias demonstra como a ausência de novos contratos de exportação e a oscilação do câmbio têm afetado o ânimo dos produtores. Mesmo com os preços em queda, muitos agricultores preferem reter o produto nos armazéns à espera de uma valorização futura, o que limita a oferta disponível, mas não impede o recuo das cotações diante da demanda enfraquecida.

Eficiência produtiva compensa redução de área plantada

Um dos pontos mais relevantes desta safra é o aumento da eficiência tecnológica nas fazendas brasileiras. Mesmo com uma redução de 3,2% na área cultivada — que passou de 2,085 milhões para 2,018 milhões de hectares — o volume total produzido será maior. Isso ocorre porque o rendimento médio das lavouras saltou para 2.053 quilos de pluma por hectare, superando os 1.957 quilos registrados na temporada 2024/25.

Esse ganho de produtividade é fruto de investimentos pesados em biotecnologia, manejo de pragas e mecanização. O Brasil tem conseguido produzir mais em menos espaço, um fator crucial para a sustentabilidade econômica do agronegócio. Contudo, essa abundância de pluma exige que o país reforce suas estratégias de exportação. Com o mercado interno saturado, o escoamento para o exterior torna-se a única via para equilibrar os estoques e garantir a rentabilidade do produtor rural a longo prazo.

Desempenho regional e o protagonismo de Mato Grosso e Bahia

Mato Grosso segue isolado na liderança da produção nacional, com uma estimativa de 2,802 milhões de toneladas de pluma para este ciclo. Embora o estado tenha registrado uma leve queda de 1,7% em comparação ao ano anterior, sua influência sobre o mercado nacional permanece absoluta. Qualquer variação no ritmo de colheita ou comercialização mato-grossense reverbera imediatamente nos preços praticados em todo o território brasileiro.

Por outro lado, a Bahia, segunda maior produtora, apresenta um crescimento vigoroso. A previsão é de que o estado colha 931,5 mil toneladas, um salto de 10,2% em relação à safra passada. Esse avanço baiano é fundamental para compensar as retrações pontuais em outras regiões e garantir que o volume nacional permaneça em níveis recordes. Goiás também contribui para esse cenário positivo, com uma projeção de 59,9 mil toneladas, crescendo quase 11% no período.

O futuro imediato do mercado de algodão dependerá da combinação entre a estabilidade do dólar e a retomada do consumo nas grandes redes de varejo têxtil. Enquanto a demanda não der sinais de recuperação robusta, o setor deve continuar operando com margens apertadas. Para mais análises detalhadas sobre o agronegócio e os rumos da economia brasileira, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência para informações apuradas e contexto relevante sobre os temas que movem o país.

Confira mais detalhes técnicos sobre as estimativas de safra no site oficial da Conab.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br