Bradesco recebe R$ 10 bilhões em capital, mas descarta pressa por crescimento

Bradesco recebe R$ 10 bilhões em capital, mas descarta pressa por crescimento

Economia

O Bradesco (BBDC4) prepara-se para um reforço de caixa significativo, com um aporte de R$ 10 bilhões em capital novo. Em um momento em que a instituição apresenta resultados crescentes e identifica oportunidades em setores estratégicos, como crédito, atendimento a empresas e alta renda, o mercado financeiro naturalmente especula sobre uma retomada agressiva de expansão. Contudo, a diretoria do banco, sediado em Osasco, adota uma postura de cautela deliberada.

Em entrevista exclusiva, Cassiano Scarpelli, diretor financeiro (CFO) do Bradesco, foi enfático ao descartar qualquer movimento precipitado. Segundo o executivo, o objetivo não é buscar crescimento a qualquer custo, mas sim garantir uma evolução sustentável. “Não vamos sair acelerando apenas para ganhar mercado. Não queremos ‘voo de galinha’, subir e cair logo à frente. Queremos ser serenos”, afirmou.

Estratégia de transformação e o desafio do cenário macroeconômico

Desde o anúncio do plano de transformação em 2024, o banco tem operado sob a premissa de um crescimento gradual, o chamado step by step. O desafio, no entanto, foi agravado por um cenário econômico que divergiu das projeções iniciais. A expectativa de juros mais baixos e um ambiente de crédito mais fluido não se concretizou na velocidade esperada, mantendo a pressão sobre a inadimplência no sistema financeiro nacional.

Scarpelli destaca que o ambiente de juros elevados é um obstáculo para qualquer instituição bancária, pois tende a elevar o risco de crédito em vez de estimular o ciclo de expansão. Nesse contexto, o Bradesco tem focado em redesenhar o relacionamento com seus clientes, reposicionar segmentos como o Prime e o Principal, além de implementar critérios mais rigorosos na concessão de crédito, tudo isso sustentado por uma forte aposta em inteligência artificial.

Aporte de R$ 10 bilhões como voto de confiança

O aumento de capital, que deve ser concluído até o final deste mês com o compromisso das controladoras, funciona mais como um sinal de confiança na estratégia de turnaround do que como uma necessidade urgente de caixa. Com um patrimônio que beira os R$ 190 bilhões, o banco encara o montante como um combustível para a continuidade dos investimentos em tecnologia e infraestrutura.

“O dinheiro em si não muda radicalmente nossa vida, mas nos dá tranquilidade para continuar investindo”, explica Scarpelli. O desafio agora é garantir que a rentabilidade supere o custo desse novo capital, mantendo o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) em uma trajetória ascendente, conforme observado no segundo trimestre de 2026, quando o banco registrou lucro líquido de R$ 7,050 bilhões.

Tecnologia e o futuro do atendimento bancário

Por trás da fachada digital que o cliente acessa via aplicativo, o Bradesco mantém um investimento contínuo em uma complexa infraestrutura de dados, segurança cibernética e arquitetura de sistemas. Essa modernização é o alicerce para a nova plataforma de mobile banking, que promete uma experiência mais conversacional, com lançamento previsto para o final de 2026.

A inteligência artificial, personificada na assistente virtual Bia, é o pilar central dessa mudança. Com a capacidade de resolver cerca de 90% das demandas no chat, o banco planeja elevar a Bia ao patamar de um “gerente agêntico”. A ideia é que a IA deixe de ser apenas reativa e passe a antecipar necessidades, sugerindo produtos de crédito ou investimento de forma personalizada. A estratégia, porém, não exclui o toque humano, que permanece como um diferencial relevante para o atendimento de clientes de alta renda.

Para acompanhar os desdobramentos do setor financeiro e as movimentações estratégicas do Bradesco, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com o contexto necessário para entender como as decisões das grandes instituições impactam a economia e o seu dia a dia.

Fonte: seudinheiro.com