Fi-infras em oferta: como buscar retornos acima de IPCA+ 10% com isenção de IR

Fi-infras em oferta: como buscar retornos acima de IPCA+ 10% com isenção de IR

Economia

A busca por rentabilidade acima da inflação tem levado investidores a olhar além do Tesouro Direto. Embora os títulos públicos indexados ao IPCA tenham recuado do patamar de 8% ao ano, o mercado de crédito privado ainda oferece oportunidades que superam os 10% de ganho real. Entre as alternativas em destaque estão os fundos de debêntures incentivadas, conhecidos como FI-Infras, que atualmente negociam com descontos expressivos em bolsa.

Esses fundos, que possuem cotas listadas em ambiente de negociação similar ao das ações, permitem que o investidor acesse carteiras de dívidas corporativas voltadas a projetos de infraestrutura. O grande atrativo, além da rentabilidade potencial, é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, um benefício fiscal que potencializa o retorno líquido ao longo do tempo.

A dinâmica dos descontos e o valor patrimonial

Negociar com desconto significa que o preço de mercado da cota está abaixo do seu valor patrimonial — o montante real dos ativos que compõem o fundo dividido pelo número de cotas. Quando um investidor adquire esses papéis em momento de deságio, ele não busca apenas o rendimento periódico, mas também a valorização da cota, que tende a convergir para o seu valor justo conforme o mercado se estabiliza.

Estudos indicam que o momento de entrada é crucial. Comprar ativos descontados permite um potencial de retorno superior ao de investidores que entraram no mercado pagando ágio ou o valor nominal. Essa estratégia de “carrego” combinada com a recuperação do preço da cota tem sido apontada por analistas como uma das formas mais eficientes de superar os benchmarks tradicionais da renda fixa.

Contexto de mercado e volatilidade recente

O cenário de juros elevados e a pressão sobre o crédito privado impuseram desafios ao longo de 2024. Entre junho e agosto, a combinação de incertezas fiscais, volatilidade eleitoral e tensões geopolíticas elevou os juros futuros, o que pressionou para baixo os preços dos ativos de renda fixa, incluindo os FI-Infras. Esse movimento de aversão ao risco gerou a abertura de spreads, tornando os preços das cotas mais atrativos.

Além disso, a desaceleração do IPCA em meses específicos, como agosto, influenciou a distribuição de dividendos, levando alguns investidores a se desfazerem de posições. No entanto, para o investidor de longo prazo, esse período de estresse serviu como uma janela de oportunidade para montar posições em fundos com carteiras saudáveis e baixo risco de inadimplência.

Oportunidades mapeadas no setor de infraestrutura

Atualmente, o mercado apresenta uma normalização gradual, com dados de inflação mais controlados e um ambiente de juros que permite maior previsibilidade. Mesmo com a redução dos descontos em relação ao pico de volatilidade, ainda existem 17 fundos de infraestrutura sendo negociados abaixo do valor patrimonial, excluindo aqueles com concentração excessiva de cotistas.

Instituições como a Empiricus Research e o BTG Pactual destacam sete fundos que combinam descontos relevantes com uma saúde financeira sólida em suas carteiras. Entre os nomes que figuram nas recomendações estão o BDIF11, CPTI11 e IFRA11, que apresentam indicadores de retorno atrativos para quem busca diversificação com proteção inflacionária.

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Fonte: seudinheiro.com