Dermatite atópica: o impacto invisível na saúde mental e na qualidade de vida

Dermatite atópica: o impacto invisível na saúde mental e na qualidade de vida

Saúde

A dermatite atópica é frequentemente reduzida a uma simples irritação cutânea, mas, para quem convive com a condição, o diagnóstico representa um desafio que transcende a barreira da pele. Trata-se de uma doença inflamatória crônica marcada por uma coceira intensa e persistente, capaz de comprometer o sono, o desempenho escolar e profissional, além de fragilizar profundamente a autoestima dos pacientes.

Em quadros severos, o simples contato com tecidos ou a água do banho pode se tornar uma fonte de dor física. A estudante de medicina Clara Emery, 23 anos, relata que a doença, presente desde o nascimento, já exigiu intervenções rigorosas, como o uso de antibióticos para tratar infecções em feridas abertas. “Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer. Deitar na cama ou encostar no travesseiro eram motivos de sofrimento”, desabafa.

O peso do estigma e o isolamento social

A percepção pública sobre a dermatite atópica é um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pacientes. Por ser uma condição que deixa marcas visíveis, muitos enfrentam preconceito e situações de bullying, especialmente na infância e adolescência. O equívoco comum de que a doença seria contagiosa leva ao isolamento social, com pacientes evitando ambientes públicos ou atividades de lazer por medo de julgamentos ou exposição.

O médico dermatologista Roberto Takaoka, presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), reforça que o impacto psicossocial é uma das facetas mais negligenciadas do tratamento. “Os pacientes enfrentam problemas de preconceito por desconhecimento do público. É comum que a doença venha acompanhada de distúrbios do sono, depressão e isolamento”, explica. A Lei 14.916/24 oficializou o dia 23 de setembro como o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, uma iniciativa essencial para combater o estigma e informar a sociedade.

Complexidade e manejo da doença

A dermatite atópica é multifatorial, influenciada por gatilhos que vão desde fatores ambientais — como ácaros, fungos, suor e variações de temperatura — até estados emocionais. A jornalista Rayane Lopes, 34 anos, exemplifica essa relação ao notar que suas crises são frequentemente desencadeadas por períodos de estresse intenso. “Tenho várias cicatrizes pelo corpo. Quando a crise está forte, preciso recorrer a medicações específicas para encontrar algum alívio”, conta.

O tratamento evoluiu significativamente, com terapias imunobiológicas que atuam diretamente no sistema imune para controlar reações exacerbadas. Embora eficazes, o custo elevado dessas medicações ainda é uma barreira para muitos pacientes, tornando o acesso à saúde um ponto crítico de debate. Especialistas alertam que não existem soluções milagrosas: o manejo exige acompanhamento médico contínuo, paciência e compreensão de que a doença alterna períodos de melhora e piora.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br