Campanha de Marina Silva cobra repasse de R$ 1,2 milhão à Rede em meio a racha interno

Campanha de Marina Silva cobra repasse de R$ 1,2 milhão à Rede em meio a racha interno

Política

Disputa por recursos expõe crise na Rede

A reta final da corrida eleitoral de 2026 trouxe à tona um conflito interno na Rede Sustentabilidade. A campanha de Marina Silva, que disputa uma vaga ao Senado por São Paulo, formalizou uma reclamação junto à direção do partido exigindo o repasse de R$ 1,2 milhão do fundo eleitoral. O pedido, feito por meio de ofício, expõe o descontentamento da ex-ministra com a atual distribuição de verbas, que, segundo aliados, prioriza candidaturas de alas adversárias dentro da sigla.

O cenário de insatisfação não é recente, mas ganhou contornos críticos com a proximidade do pleito. Integrantes da campanha de Marina apontam que a ex-ministra, um dos nomes de maior projeção nacional do partido e bem posicionada nas pesquisas, tem recebido um tratamento financeiro inferior ao de outros quadros da legenda. O valor de R$ 1 milhão já repassado à candidata é considerado desproporcional por seus auxiliares, que comparam o montante ao recebido por candidaturas de menor alcance eleitoral.

Desequilíbrio na distribuição do fundo eleitoral

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o fundo eleitoral da Rede, que totaliza R$ 35,8 milhões, tem sido direcionado de forma que gera atritos. Enquanto Marina Silva recebeu R$ 1 milhão, outros nomes da legenda figuram no topo da lista de repasses. André Janones (MG), candidato a deputado federal, lidera com R$ 3 milhões, equivalente a 8% do total disponível. A ex-senadora Heloísa Helena, que concorre a uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro, também aparece com R$ 2,8 milhões.

A percepção de “desprestígio” é reforçada pelo fato de que o valor destinado à campanha de Marina é equiparado ao de candidaturas a deputado federal e estadual. Para o grupo da ex-ministra, o tratamento ignora a complexidade e a visibilidade de uma candidatura majoritária ao Senado. A situação é agravada pelo fato de Marina ter recebido mais apoio financeiro do PSOL — partido com o qual a Rede mantém uma federação — do que da própria legenda que ajudou a fundar. Segundo registros oficiais, o PSOL destinou R$ 1,1 milhão à campanha, superando o repasse da Rede em 10%.

Racha interno e debandada de quadros

A disputa pelos recursos é vista como um desdobramento da briga pelo comando da sigla, que coloca em lados opostos o grupo de Marina Silva e a ala liderada por Heloísa Helena. Filiados têm acusado a atual direção de privilegiar candidaturas alinhadas aos seus interesses, citando como exemplo o investimento na candidatura de Heloísa à vereança no Rio de Janeiro em 2024, que não resultou em eleição.

O clima de instabilidade já provocou a saída de diversos quadros da Rede ao longo de 2026. A própria Marina Silva chegou a cogitar a desfiliação, mas optou por permanecer na legenda no encerramento da janela partidária. Até o momento, o presidente da Rede, Paulo Lamac, não se manifestou sobre as cobranças feitas pela campanha da ex-ministra. A falta de diálogo, segundo fontes próximas, apenas aprofunda o isolamento de Marina dentro da estrutura que ela mesma ajudou a construir.

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Fonte: redir.folha.com.br