A articulação política em torno da campanha de Flávio Bolsonaro
Em um cenário de movimentações intensas para as eleições de 2026, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem sido marcada por uma reconfiguração na presença de militares em seu entorno. Enquanto o núcleo da candidatura buscou distanciar-se da gestão cotidiana de figuras fardadas, um grupo restrito de parlamentares reeleitos, com histórico de proximidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, continua a gravitar em torno do projeto político do senador.
Entre os nomes que mantêm influência e diálogo constante com a base bolsonarista estão o ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) e o deputado Eliéser Girão (PL-RN). A presença desses aliados, que não foram atingidos pelas condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado, sinaliza uma tentativa de manter a coesão ideológica do grupo, apesar das restrições impostas pelo cenário jurídico atual.
Proposta de anistia e a comparação com 1979
Um dos pontos centrais do discurso de Eduardo Pazuello tem sido a defesa de uma anistia ampla, que, segundo ele, deveria contemplar todos os envolvidos nos episódios de depredação das sedes dos Três Poderes. Em declarações recentes, o deputado defendeu que o perdão político deveria ser bilateral, alcançando tanto os detidos pelos atos antidemocráticos quanto as autoridades responsáveis pelas prisões, em uma referência direta ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O parlamentar traçou um paralelo histórico com a Lei de Anistia de 1979, sancionada durante o governo de João Baptista Figueiredo. Para Pazuello, a solução para o atual impasse político brasileiro passaria por um mecanismo semelhante ao que permitiu, na época, o retorno de exilados políticos e o perdão a militares envolvidos na repressão. “Não podemos continuar na porra desse pingue-pongue, senão não arrumamos o país”, afirmou o deputado, reforçando a necessidade de encerrar as disputas judiciais que dividem o país.
Cenário político e perspectivas futuras
A postura de Pazuello reflete o desejo de parte da bancada do PL em pacificar as tensões que levaram à prisão de figuras de alta patente do Exército e da Marinha, além de civis que compunham o governo anterior. Embora o deputado evite detalhar como funcionaria a anistia para o “outro lado” — ou seja, para os magistrados que conduziram os processos —, a proposta ganha tração entre aliados que buscam reverter as condenações atuais.
Além da agenda de anistia, o nome de Pazuello tem sido ventilado para ocupar posições de destaque em um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro. O ex-ministro, que atualmente preside a frente parlamentar em apoio ao setor de petróleo, é cotado por integrantes do mercado como um possível nome para a Petrobras. O deputado, contudo, mantém o foco em sua atuação legislativa enquanto a campanha avança rumo ao pleito de 2026.
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Fonte: redir.folha.com.br

