O setor algodoeiro brasileiro ganha um reforço tecnológico estratégico com o lançamento das cultivares BR’s 510 B2RF e BR’s 810 B3RF. Desenvolvidas pela Embrapa, as novas variedades chegam ao mercado com o objetivo de elevar o patamar de produtividade e oferecer maior segurança fitossanitária aos produtores, combinando biotecnologia de ponta com resistência genética a pragas e doenças que historicamente impactam as lavouras no Cerrado.
Com potencial de atingir até 7,6 toneladas por hectare na primeira safra, os materiais foram desenhados para enfrentar desafios críticos da cotonicultura nacional. A apresentação oficial ocorre no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte, consolidando a parceria entre a pesquisa pública e a iniciativa privada, representada pela empresa Lyntera, responsável pela comercialização das sementes.
Tecnologia e biotecnologia no campo
As novas cultivares são transgênicas e integram tecnologias da Bayer para o manejo eficiente de lagartas e plantas daninhas. Enquanto a BR’s 510 utiliza a plataforma Bollgard 2 RRFlex (B2RF), a BR’s 810 incorpora a Bollgard 3 RRFlex (B3RF), que amplia o espectro de proteção contra o ataque de lagartas, além de garantir tolerância ao herbicida glifosato.
Segundo Camilo Morello, pesquisador e coordenador do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa Algodão, a adoção dessas variedades é uma ferramenta essencial para reduzir perdas produtivas. O foco central é o controle de nematoides e a facilitação do manejo das plantas daninhas, fatores que, quando não controlados, comprometem severamente a rentabilidade do produtor.
Combate a doenças e nematoides
Um dos maiores diferenciais das novas cultivares é a resistência múltipla. Ambas apresentam proteção contra a mancha de ramulária, a bacteriose e a doença-azul. A mancha de ramulária, em particular, é um dos maiores gargalos da cultura, exigindo frequentemente entre oito e dez intervenções com fungicidas por safra. A resistência genética pode, portanto, reduzir a dependência de defensivos químicos.
Além disso, a resistência ao nematoide das galhas (Meloidogyne incognita) é um trunfo importante. Esse parasita ataca o sistema radicular e pode causar perdas de até 50% na produtividade. A BR’s 510 B2RF vai além e também oferece resistência ao nematoide reniforme, praga capaz de reduzir a colheita em mais de 60% em áreas com alta infestação.
Adaptação e desempenho regional
A BR’s 510 B2RF é recomendada para lavouras de alto rendimento em estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia, Paraná e Tocantins, demonstrando boa adaptação a solos arenosos. Já a BR’s 810 B3RF destaca-se pela estabilidade produtiva e qualidade da fibra, atendendo aos rigorosos padrões da indústria têxtil. Esta última possui uma área de recomendação ainda mais ampla, abrangendo também o Distrito Federal, Maranhão, Piauí e Minas Gerais.
A Embrapa reforça que, embora a genética seja um avanço, o sucesso no campo depende de um manejo integrado. A rotação de culturas com plantas não hospedeiras, o uso de nematicidas e a higienização rigorosa de máquinas — para evitar a disseminação de patógenos entre áreas — continuam sendo pilares fundamentais para a sustentabilidade da produção. Para mais informações sobre o setor e as inovações que transformam o agronegócio, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de referência para notícias com profundidade e credibilidade.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
