Justiça do Trabalho valida greve dos Correios e determina retorno nesta sexta com compensação

Justiça do Trabalho valida greve dos Correios e determina retorno nesta sexta com compensação

Justiça

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) proferiu, nesta quinta-feira (24), uma decisão fundamental para o desfecho da paralisação dos funcionários dos Correios. Por maioria de votos, a Seção de Dissídios Coletivos da Corte declarou que o movimento grevista não possui caráter abusivo, garantindo aos trabalhadores o direito constitucional de greve. Apesar do reconhecimento da legitimidade do ato, o tribunal determinou o retorno imediato das atividades a partir desta sexta-feira (25).

A decisão encerra um período de incertezas que impactou a logística nacional desde o dia 10 de setembro, quando a categoria iniciou a paralisação por tempo indeterminado. O impasse teve origem na falta de consenso durante as negociações da campanha salarial deste ano, conforme relatado pela Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect).

Compensação de dias e desdobramentos jurídicos

Um dos pontos centrais do julgamento foi a questão financeira envolvendo os dias parados. O tribunal negou o pedido da estatal para que a greve fosse considerada abusiva, o que evitaria prejuízos diretos aos trabalhadores. Como resultado, ficou estabelecido que não haverá desconto nos salários pelos dias em que os funcionários estiveram ausentes, desde que haja a compensação posterior das horas não trabalhadas.

O julgamento, que havia sido suspenso na segunda-feira (21), contou com votos divergentes. Os ministros Ives Gandra Martins Filho, Caputo Bastos e a ministra Maria Cristina Peduzzi defenderam a tese de abusividade, mas foram vencidos pela maioria dos magistrados da Corte.

Argumentos da presidência do TST

Ao fundamentar a decisão, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, destacou a complexidade logística dos Correios e a capilaridade da empresa no território nacional. Segundo o magistrado, não houve comprovação de que o movimento paredista tenha impedido o funcionamento essencial da estatal ou descumprido ordens judiciais prévias.

O ministro ressaltou que a legislação brasileira assegura o direito de greve, incluindo a prerrogativa dos trabalhadores de buscarem a adesão de colegas ao movimento. “Como reconhecer abusividade nesse caso? Primeiro, a dimensão territorial do país. Segundo, que o número de agências é enorme. Eles atendem aos locais mais recônditos do país”, pontuou o presidente da Corte durante a sessão.

Impacto operacional e próximos passos

Durante todo o período de greve, o TST manteve uma medida cautelar que obrigava a manutenção de 80% do efetivo em operação. A medida visava minimizar os transtornos à população e garantir a continuidade dos serviços postais básicos. Com a nova determinação de retorno, a expectativa é de normalização gradual do fluxo de encomendas e correspondências em todo o país.

Após o anúncio do veredito, representantes sindicais informaram que realizarão assembleias para deliberar sobre o cumprimento da ordem de retorno às atividades nesta sexta-feira. A estatal, por sua vez, segue monitorando o impacto da paralisação em sua rede de atendimento. Para mais detalhes sobre o andamento das negociações, consulte a decisão oficial no portal da Agência Brasil.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br