O mercado brasileiro de proteínas animais atravessa um momento atípico e histórico. Pela primeira vez desde junho de 2004, o preço do frango resfriado superou a cotação média da carne suína, conforme apontam os dados mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O fenômeno, observado ao longo desta parcial de setembro, marca uma inversão significativa na dinâmica de preços das carnes no país.
Dinâmica de mercado e valorização da proteína avícola
A valorização da carne de frango não é um evento isolado, mas o resultado de uma convergência de fatores econômicos. Desde o início de setembro, o setor tem experimentado uma recuperação robusta, impulsionada por um aumento consistente na demanda interna e por um desempenho comercial favorável no mercado externo. Após meses de um cenário marcado por oferta elevada e consumo retraído, o setor avícola encontrou um novo equilíbrio.
Agentes econômicos consultados pelo Cepea indicam que o mês de setembro se consolidou como o período de maior volume de vendas em 2026. A combinação de uma procura aquecida com uma oferta doméstica mais ajustada criou o cenário ideal para a sustentação dos preços, permitindo que a proteína avícola ganhasse terreno frente aos seus principais concorrentes diretos.
O comportamento da carne suína e o contraste com os ovos
Enquanto o frango registra altas expressivas, a carcaça especial suína apresentou um avanço mais moderado no mesmo período. Essa disparidade de ritmo entre as duas proteínas foi o gatilho para o cruzamento das curvas de preço, um marco que não era registrado há mais de duas décadas na série histórica iniciada em 2004.
Em contrapartida, o mercado de ovos segue uma trajetória distinta. Após períodos de alta, os preços da proteína registraram recuo na segunda quinzena de setembro. Esse movimento é considerado sazonal, refletindo a menor procura interna típica do final do mês, quando o poder de compra do consumidor tende a ficar mais restrito. Com o fluxo de vendas reduzido, produtores têm enfrentado maior pressão por descontos, resultando em uma desvalorização pontual do produto nas praças monitoradas.
Perspectivas para o consumidor e o setor
O cenário atual exige atenção tanto de produtores quanto de consumidores. A oferta de ovos, por exemplo, apresenta um comportamento heterogêneo entre as regiões brasileiras: enquanto algumas áreas mantêm estoques controlados, outras já lidam com sobras de mercadoria, o que acentua a pressão sobre as cotações. Para o setor de carnes, o desafio agora é manter a estabilidade diante de uma demanda que se mostrou volátil ao longo do ano.
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Fonte: canalrural.com.br
