Fake news sobre Nossa Senhora Aparecida atinge Flávio Bolsonaro nas redes sociais

Fake news sobre Nossa Senhora Aparecida atinge Flávio Bolsonaro nas redes sociais

Política

A propagação de desinformação no cenário eleitoral

A corrida eleitoral de 2026 foi marcada por um episódio de desinformação que ganhou tração rápida nas plataformas digitais. Uma notícia falsa, que atribuía ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, viralizou intensamente, gerando um efeito negativo imediato na imagem do político junto ao eleitorado católico.

O monitoramento realizado pela Palver, empresa especializada em inteligência de dados, revelou que cerca de 37% das mensagens analisadas trataram o boato como um fato verídico. Esse cenário resultou em uma onda de indignação e apelos por votos contrários ao candidato, evidenciando a velocidade com que narrativas distorcidas podem influenciar a opinião pública em um período de alta polarização.

A origem do boato e a retratação da imprensa

A desinformação ganhou força após uma declaração feita pela jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, na última quinta-feira (24). A comunicadora associou o presidenciável a uma suposta mobilização para revogar o status religioso da santa. O impacto foi imediato, com a circulação massiva de cards e capturas de tela que utilizavam a marca do canal de notícias para conferir credibilidade ao conteúdo falso.

Horas após a repercussão, a emissora realizou uma retratação pública. O esclarecimento apontou que a informação distorcida teve origem em um projeto de lei antigo, datado de 2007, de autoria do então deputado Victório Galli (PMDB). A proposta, que sugeria alterar a nomenclatura de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos”, foi arquivada ainda em 2008 e não possui qualquer relação com a plataforma atual de Flávio Bolsonaro.

Reação do candidato e análise do impacto digital

Em resposta ao episódio, Flávio Bolsonaro negou veementemente a veracidade da informação. O candidato atribuiu a disseminação do boato a uma estratégia articulada pelo que chamou de “máfia do PT” e reforçou publicamente seu respeito por todas as vertentes religiosas, buscando conter o desgaste causado pela notícia falsa em sua disputa contra Lula (PT).

O levantamento da Palver, que monitorou redes como Instagram, X, TikTok e Kwai, além de grupos públicos de WhatsApp e Telegram entre 18 e 25 de setembro, detalhou o comportamento da viralização:

  • O pico de menções ocorreu em 25 de setembro, atingindo 735 citações a cada 100 mil mensagens nas redes sociais.
  • A plataforma X apresentou a maior intensidade relativa, com um salto expressivo de menções após a menção na televisão.
  • Nos aplicativos de mensagens, o crescimento foi mais moderado, sugerindo que o impulso inicial partiu de perfis públicos e veículos de imprensa antes de migrar para as conversas privadas.

O estudo do Democracia em Xeque complementa o cenário ao apontar que, no espectro das interações, a esquerda foi responsável pela produção de dois a cada três posts sobre o tema, intensificando o debate em torno da figura do candidato do PL.

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Fonte: redir.folha.com.br