O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um novo desafio no comércio internacional. Para o ano fiscal de 2027, que se inicia em 1º de outubro de 2026, os Estados Unidos fixaram a cota brasileira de exportação de açúcar bruto de cana com tarifa reduzida em 100 mil toneladas. O volume representa uma queda de aproximadamente 36% em relação à média tradicional de 156 mil toneladas, gerando preocupações imediatas sobre a rentabilidade das usinas, especialmente na região Nordeste.
Impacto financeiro e planejamento regional
A decisão americana, consolidada na última quarta-feira (23), excluiu o Brasil de uma nova rodada de partilha de excedentes, mantendo o país estagnado no volume definido ainda em julho. Renato Cunha, presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Novabio) e do Sindaçúcar-PE, estima que a medida trará um prejuízo potencial de US$ 30 milhões para a cadeia produtiva nordestina.
O impacto vai além dos números financeiros. Como o ciclo de produção no Nordeste é iniciado entre agosto e setembro, o planejamento comercial das usinas foi estruturado com base na receita esperada desses embarques. A redução força as empresas a buscarem destinos alternativos, que, segundo especialistas, dificilmente oferecerão as mesmas condições de preço e competitividade encontradas no mercado norte-americano.
Desafios para a cadeia produtiva
A incerteza sobre o escoamento da produção preocupa um setor que sustenta uma vasta rede socioeconômica. Estima-se que a cadeia sucroalcooleira regional envolva cerca de 20 mil fornecedores de cana-de-açúcar e seja responsável pela manutenção de aproximadamente 270 mil postos de trabalho. A instabilidade nas exportações pode reverberar em toda essa estrutura, afetando desde o pequeno produtor até a logística de exportação.
Historicamente, o Brasil mantinha uma posição mais confortável. Desde 2014, o país recebia ao menos 150 mil toneladas anuais, com picos que superaram 200 mil toneladas nas safras de 2023/24 e 2024/25. A mudança atual rompe uma tendência de estabilidade que permitia maior previsibilidade aos exportadores brasileiros.
Busca por novos mercados
Diante do cenário restritivo, o setor busca alternativas para minimizar as perdas. Uma das possibilidades em análise é o redirecionamento do açúcar para a União Europeia, aproveitando a cota de 180 mil toneladas estabelecida no âmbito do acordo com o Mercosul. Contudo, a estratégia ainda carece de definições claras sobre a precificação, já que o mercado europeu apresenta dinâmicas distintas das americanas.
Enquanto as usinas reavaliam suas estratégias comerciais para a safra 2026/27, o mercado segue atento às movimentações do governo americano, que manteve a cota global de importação em 1.117.195 toneladas, distribuídas entre 39 países. O Ministério da Agricultura e Pecuária continua monitorando os desdobramentos dessa política tarifária.
O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos do comércio exterior e o impacto das decisões internacionais na economia brasileira. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas e notícias relevantes sobre os setores que movem o país.
Fonte: portaldoagronegocio.com.br
