O setor de noz-pecã no Brasil atravessa um período de ajuste no ritmo de suas exportações. Uma combinação complexa de entraves logísticos globais, novas exigências fitossanitárias impostas por mercados tradicionais e a instabilidade nas relações comerciais internacionais tem pressionado os embarques do produto. A análise é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), que monitora de perto os impactos dessas variáveis na balança comercial do agronegócio.
Impacto dos conflitos globais na logística
A logística internacional, peça-chave para o escoamento da produção, tem sido um dos principais pontos de atenção. Segundo Claiton Wallauer, presidente do IBPecan, os conflitos geopolíticos no Oriente Médio geraram um efeito cascata que prejudica diretamente o exportador brasileiro. A instabilidade na região provocou uma redução drástica na disponibilidade de contêineres e um encarecimento acentuado dos fretes marítimos.
Esse cenário de custos elevados torna as negociações com compradores internacionais mais desafiadoras. O aumento das despesas logísticas acaba por reduzir a competitividade do produto nacional, forçando o setor a buscar estratégias para manter a viabilidade das transações em um mercado que exige cada vez mais eficiência e previsibilidade.
Incertezas tarifárias e oportunidades nos Estados Unidos
Além dos problemas de transporte, o setor mantém o radar voltado para a política comercial dos Estados Unidos. O governo norte-americano tem sinalizado medidas tarifárias que podem afetar produtos sul-americanos, gerando um clima de incerteza. No entanto, o IBPecan enxerga uma dualidade nesse cenário: o risco de barreiras comerciais convive com a possibilidade de ganhos de mercado.
Como os Estados Unidos e o México, grandes produtores mundiais, registraram uma safra menor no último ciclo, os preços internacionais tendem a se manter em patamares elevados. Essa escassez pode abrir janelas de oportunidade para a pecã brasileira, caso o setor consiga navegar com agilidade pelas novas definições tarifárias que ainda aguardam regulamentação.
Barreiras sanitárias e novos horizontes
O mercado europeu, historicamente um destino relevante, também impõe novos desafios. A adoção de critérios sanitários e fitossanitários mais rigorosos tem dificultado a entrada das nozes brasileiras no continente. De acordo com Claiton Wallauer, essa é uma tendência global que impacta a cadeia produtiva, exigindo adaptações rápidas por parte dos produtores brasileiros para atender aos novos padrões de qualidade e segurança alimentar exigidos pela Europa.
Enquanto as negociações com a Ásia seguem em ritmo lento, o setor trabalha na prospecção de novos mercados para diversificar a pauta de exportação. A expectativa é que o cenário de instabilidade comece a arrefecer entre julho e agosto de 2026, período em que o IBPecan projeta uma estabilização das negociações internacionais.
Perspectivas para a próxima safra
Apesar da conjuntura externa desfavorável, o otimismo permanece no campo. A expectativa para a safra de 2026 é de uma produção entre 6,5 mil e 7 mil toneladas. Esse volume é sustentado pela entrada de novos pomares em fase produtiva e pela expectativa de recuperação na produtividade das lavouras já estabelecidas. O setor segue focado em superar os obstáculos imediatos para garantir que o crescimento da oferta interna encontre canais de escoamento rentáveis.
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Fonte: canalrural.com.br
