Pedidos de recuperação judicial no agro sobem 22% no primeiro trimestre de 2026

Pedidos de recuperação judicial no agro sobem 22% no primeiro trimestre de 2026

Agro

Cenário de instabilidade financeira no campo

O agronegócio brasileiro enfrenta um período de pressão financeira acentuada, refletido diretamente nos tribunais. Segundo dados da Serasa Experian, o setor registrou 474 pedidos de recuperação judicial apenas no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma alta de 21,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando uma tendência de busca por reestruturação de dívidas que ganhou força ao longo de 2025.

O cenário atual é um desdobramento de um ciclo desafiador. Em todo o ano de 2025, o setor contabilizou 1.990 solicitações, um salto de 56,4% em relação a 2024. O levantamento abrange tanto produtores rurais, sejam pessoas físicas ou jurídicas, quanto empresas diretamente ligadas à cadeia produtiva agropecuária, evidenciando que a crise atravessa diferentes elos da economia rural.

Fatores que pressionam a produção

O aumento nas solicitações de recuperação judicial não ocorre de forma isolada. Diversos fatores têm comprometido o fluxo de caixa dos produtores, tornando o cumprimento de obrigações financeiras uma tarefa complexa. Entre os principais vilões estão a volatilidade nos preços das commodities, a elevação dos custos de produção e a recorrência de eventos climáticos adversos que impactam diretamente a produtividade das lavouras.

A dificuldade em honrar compromissos assumidos para financiar as safras leva muitos produtores a buscarem o amparo legal. Para Victor Hugo Rocha, sócio-fundador da Rocha & Rocha Advogados, a recuperação judicial torna-se uma alternativa quando as tentativas de negociação direta com credores esgotam-se. O especialista ressalta que a antecipação na busca pela reestruturação é fundamental para evitar a execução de garantias e preservar os bens indispensáveis à continuidade da atividade produtiva.

Riscos ao patrimônio e medidas de socorro

A preocupação com a preservação do patrimônio é evidente diante do aumento de propriedades rurais levadas a leilão. Dados apresentados na 3ª Conferência Estadual de Direito e Agronegócio da OAB-SP indicam que 14.129 propriedades foram a leilão em 2025, uma alta de 30% sobre o ano anterior. Embora o leilão não implique necessariamente na venda efetiva do imóvel, o dado ilustra a fragilidade de muitos produtores diante de dívidas acumuladas.

Em resposta a esse quadro, o governo federal busca alternativas para mitigar o impacto financeiro. A Medida Provisória nº 1.376/2026 autoriza a criação de linhas de crédito específicas para a liquidação ou amortização de operações de crédito rural e de Cédulas de Produto Rural (CPR). O objetivo é oferecer um fôlego aos produtores que foram severamente afetados por intempéries climáticas, permitindo que reorganizem suas finanças sem a necessidade de recorrer ao Judiciário.

Perspectivas para o setor

O sucesso das medidas de renegociação depende, em última instância, do enquadramento dos produtores nas regras estabelecidas e da agilidade das instituições financeiras em disponibilizar o crédito. O crescimento expressivo das demandas judiciais serve como um alerta sobre a necessidade de um planejamento financeiro rigoroso e da busca por alternativas de reestruturação antes que o crédito seja totalmente comprometido.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos econômicos que impactam o agronegócio e a economia brasileira. Continue conosco para manter-se informado com análises aprofundadas, dados atualizados e uma cobertura comprometida com a relevância e a credibilidade que você exige.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br