Grupo jurídico pede que Mp-rj retome investigação contra Flávio Bolsonaro por caso das rachadinhas

Grupo jurídico pede que Mp-rj retome investigação contra Flávio Bolsonaro por caso das rachadinhas

Política

O cenário político e jurídico brasileiro volta a se voltar para o Rio de Janeiro com um novo desdobramento envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Grupo Prerrogativas, coletivo de advogados e juristas, protocolou uma petição junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) solicitando a reabertura das investigações sobre o suposto esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

A movimentação ocorre após a divulgação de informações que o grupo classifica como fatos novos, capazes de superar o arquivamento anterior do caso. A investigação original, que apurava o desvio de salários de assessores no antigo gabinete de Flávio enquanto deputado estadual, havia sido encerrada após decisões judiciais que anularam provas fundamentais do processo.

Indícios de movimentação em cofre bancário motivam nova ofensiva jurídica

O ponto central do pedido de reabertura reside em informações sobre a existência de um cofre mantido pelo senador em uma agência do Banco do Brasil. Segundo a petição, assinada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), documentos indicam que Flávio Bolsonaro teria acessado esse cofre no dia 26 de novembro de 2012.

A relevância dessa data, segundo os advogados, deve-se ao fato de que o acesso ocorreu exatamente um dia antes da compra de dois imóveis no Rio de Janeiro. Na ocasião, as transações imobiliárias teriam sido realizadas com o uso de dinheiro em espécie, um detalhe que já havia sido alvo de escrutínio em fases anteriores da investigação.

O Grupo Prerrogativas argumenta que a conexão temporal entre o acesso ao cofre e a aquisição dos bens em dinheiro vivo constitui um elemento inédito. Para o coletivo, essa circunstância justifica uma nova análise por parte dos promotores para verificar se os valores guardados teriam origem no suposto esquema de desvio de verbas públicas.

Petição detalha cronologia de acesso a valores e compra de imóveis

A estratégia jurídica apresentada foca na necessidade de o Ministério Público apurar a relação direta entre as operações financeiras e o patrimônio imobiliário do parlamentar naquele período. O documento cita reportagens e levantamentos que trazem à tona esses registros bancários, sugerindo que o fluxo de capital não teria sido devidamente explorado sob esta ótica específica.

Os advogados sustentam que, embora o processo anterior tenha sofrido reveses técnicos devido à anulação de quebras de sigilo, a descoberta de novos registros de acesso a cofres físicos abre uma via de investigação independente. Isso permitiria, em tese, que o MP-RJ buscasse novas provas sem depender do material que foi invalidado pelas cortes superiores.

A petição reforça que o interesse público exige o esclarecimento total dos fatos, especialmente quando surgem dados que não estavam sob o crivo dos investigadores no momento do oferecimento da denúncia original. O foco agora é entender se o cofre servia como entreposto para o armazenamento de valores oriundos da prática de rachadinha.

O histórico das rachadinhas e as razões do arquivamento anterior

Para compreender a importância deste novo pedido, é preciso relembrar o histórico do caso. A investigação começou a partir de um relatório do antigo Coaf, que identificou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O esquema consistia, supostamente, na devolução de parte dos salários dos funcionários do gabinete para o parlamentar.

Entretanto, o processo enfrentou uma série de obstáculos nos tribunais. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anularam as decisões que permitiram a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio. Os magistrados entenderam que houve irregularidades processuais na coleta dessas informações, o que esvaziou a denúncia apresentada pelo MP-RJ.

Com a anulação das provas, o caso foi tecnicamente arquivado, pois a acusação ficou sem sustentação material. A tentativa atual do Grupo Prerrogativas é justamente encontrar uma “prova autônoma” que não tenha sido contaminada pelas decisões judiciais anteriores, permitindo que a justiça retome o exame do mérito das acusações.

Repercussão política e os próximos passos do Ministério Público

O senador Flávio Bolsonaro tem negado sistematicamente qualquer irregularidade em suas transações imobiliárias ou na gestão de seu gabinete. A defesa do parlamentar costuma classificar as tentativas de reabertura do caso como perseguição política, reiterando que todas as suas aquisições patrimoniais são compatíveis com seus rendimentos e foram devidamente declaradas.

A decisão de reabrir ou não o inquérito cabe agora à cúpula do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Os promotores deverão avaliar se os fatos narrados na petição de Rui Falcão possuem densidade jurídica suficiente para configurar uma nova linha de investigação ou se são apenas reiterações de temas já debatidos.

O desfecho deste pedido terá implicações significativas no cenário político nacional, dada a posição de liderança que Flávio ocupa na oposição ao governo federal. A vigilância sobre o uso de recursos públicos permanece como um tema sensível para a opinião pública brasileira, mantendo o caso das rachadinhas no centro do debate sobre ética e transparência na política.

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Fonte: redir.folha.com.br