O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, conduziu uma reunião em Brasília com representantes dos transportadores de carga para avaliar impactos e alternativas operacionais decorrentes do fim da escala 6×1. O encontro estratégico contou com a presença de cegonheiros, profissionais responsáveis pelo transporte de veículos zero quilômetro, além de delegações ligadas ao setor da saúde.
Negociações e prazos para o setor de transportes
O setor de transportes de cargas estabeleceu o prazo de 16 de dezembro para avançar nas negociações diretas com as empresas. A partir desta data, o modelo de duas folgas semanais precisará ser rigorosamente cumprido. Caso ocorram impasses operacionais, o tema retornará à mesa de discussões do governo federal.
A diretriz principal defendida pelas lideranças é priorizar um acordo nacional unificado com as entidades de classe, permitindo adaptações regionais conduzidas pelos sindicatos locais. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão determina a concessão de oito folgas mensais, equilibrando a garantia de direitos trabalhistas com as particularidades de cada atividade produtiva.
Desafios logísticos em viagens longas
A principal preocupação manifestada pelos transportadores durante o encontro em Brasília envolve a logística de cumprimento dos descansos obrigatórios durante viagens de longa distância e trajetos internacionais. Encontrar soluções viáveis para operações que ultrapassam o limite de 30 dias na estrada permanece como o principal desafio técnico para o setor.
Como alternativa para contornar o problema, foi apresentada uma proposta de flexibilização que prevê a concessão de uma folga semanal ao longo de três semanas consecutivas, acumulando o direito a cinco folgas consecutivas no momento do retorno ao domicílio do motorista.
Regulamentação governamental e o futuro da atividade
Paralelamente às negociações sindicais e aos debates no Ministério do Trabalho e Emprego, a administração federal prepara um decreto executivo voltado para regulamentar essas situações específicas, enquanto o Congresso Nacional prossegue com as discussões em torno da PEC sobre o tema.
Durante a reunião, o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, ressaltou a complexidade da rotina da categoria. Segundo ele, a operação de transporte de veículos envolve milhares de quilômetros por diversos estados, exigindo que a legislação considere a realidade dinâmica de quem vive na estrada.

