O debate entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o candidato Fernando Haddad (PT), realizado na última terça-feira (29) pela TV Globo, foi marcado por um embate direto, mas também por uma série de imprecisões, omissões e distorções de dados apresentados por ambos os lados. Em uma disputa acirrada pelo Governo de São Paulo, os postulantes utilizaram números sobre temas sensíveis — como a situação da cracolândia, a privatização da Sabesp e a saúde fiscal do estado — que, sob o crivo da checagem, revelaram-se incompletos ou factualmente incorretos.
A complexidade da cracolândia e a realidade dos dados
Um dos pontos de maior atrito foi a situação da cracolândia no centro da capital paulista. Tarcísio de Freitas mencionou por diversas vezes o suposto fim da concentração de usuários de drogas. Embora seja fato que a aglomeração em um único ponto tenha sido fragmentada, a narrativa de que o problema foi resolvido ignora a dispersão e o agravamento dos casos.
Dados do programa municipal anticrack indicam que o cenário é de alerta. No primeiro semestre de 2026, o número de dependentes químicos classificados como de alta complexidade, que exigem acompanhamento intensivo de saúde, atingiu 447 pessoas na região central. O número representa um salto significativo em relação ao mesmo período de 2025, quando o monitoramento apontava 222 usuários, evidenciando que a fragmentação do grupo não significou a solução da crise social.
Privatização da Sabesp e o impacto no quadro funcional
A privatização da Sabesp foi outro tema central onde a precisão dos dados foi negligenciada. Tarcísio afirmou que o quadro de servidores da companhia permaneceu inalterado após o processo de desestatização. No entanto, registros sindicais apontam para uma realidade diferente: houve o corte de mais de 2.000 profissionais, resultado de desligamentos diretos de aposentados e da adesão a programas de demissão voluntária.
Fernando Haddad utilizou o contexto da Sabesp para criticar a qualidade do serviço, citando um comunicado da empresa aos moradores da Baixada Santista, em 24 de setembro, que recomendava evitar o consumo de água da torneira. Embora o comunicado tenha existido, a empresa justificou o episódio como uma ocorrência pontual causada por fortes chuvas, e não necessariamente como uma falha estrutural decorrente da gestão privada, como sugeriu o candidato petista.
Saúde fiscal e monitoramento ambiental
O debate também esbarrou na gestão das contas públicas. Tarcísio declarou que o estado de São Paulo não enfrenta problemas fiscais, uma afirmação que ignora o déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões registrado em 2025 e a projeção negativa de mais de R$ 9 bilhões para o exercício de 2026. A saúde financeira do estado é um dos pilares mais sensíveis para a próxima gestão.
Por fim, Haddad também incorreu em erro ao afirmar que o rio Tietê tornou-se mais poluído durante a atual gestão. Os dados oficiais de monitoramento ambiental, que podem ser consultados no portal da Cetesb, mostram que a dinâmica de poluição do rio é complexa e não segue uma linha reta de piora absoluta, exigindo cautela ao utilizar indicadores ambientais como arma política em debates televisionados.
Acompanhar a veracidade das promessas e dos dados apresentados pelos candidatos é essencial para o exercício do voto consciente. O ConexRS mantém seu compromisso com a informação apurada e contextualizada, trazendo diariamente os desdobramentos das eleições e os fatos que impactam a vida dos brasileiros. Continue conosco para análises aprofundadas e coberturas completas sobre o cenário político nacional.
Fonte: redir.folha.com.br
