O último debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo, realizado pela TV Globo na noite de terça-feira (29), consolidou o tom de confronto direto que marcou a reta final da campanha eleitoral. Em um cenário de polarização acentuada, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) utilizaram o espaço para trocar acusações graves e tentar conquistar o eleitorado indeciso antes da ida às urnas no próximo domingo.
Confronto sobre elos com o crime organizado
Um dos momentos de maior tensão no estúdio envolveu a segurança pública e a integridade política. Fernando Haddad questionou Tarcísio sobre o apoio do governador aos filhos do ex-vereador Milton Leite, preso em 18 de setembro durante uma operação que apura supostas conexões entre o transporte coletivo e o PCC. O petista classificou Leite como um “prefeito sombra”, sugerindo uma influência indevida na gestão municipal. Em sua defesa, Tarcísio negou qualquer ingerência da família Leite em seu governo.
O governador, por sua vez, contra-atacou mencionando a presença de Haddad em um palanque na Favela do Moinho, no centro da capital paulista, onde, segundo Tarcísio, o petista teria se associado a uma liderança ligada à facção criminosa. A troca de acusações elevou o tom do debate, refletindo a estratégia de ambos em associar o adversário a escândalos de corrupção ou criminalidade.
Saúde pública e gestão de crises
A discussão sobre a saúde pública serviu de palco para o embate entre as gestões estadual e federal. Haddad atribuiu o cenário atual do SUS em São Paulo ao legado da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro, apontando para um aumento nas filas de espera e procedimentos represados. O petista também destacou as dificuldades enfrentadas por famílias de crianças atípicas, alegando que o atendimento especializado nas escolas teria sido desmantelado.
Tarcísio rebateu as críticas focando no histórico de Haddad como prefeito de São Paulo. O governador afirmou que o petista descumpriu metas importantes na saúde durante sua administração municipal e que a avaliação popular daquela gestão foi negativa. Sobre a questão das crianças atípicas, Tarcísio negou o corte de profissionais e prometeu a implementação de salas sensoriais nas escolas estaduais como parte de sua estratégia de acolhimento.
Contexto eleitoral e projeções
O encontro na TV Globo ocorre em um momento em que as pesquisas de intenção de voto, como o levantamento do Datafolha divulgado em 24 de setembro, apontam Tarcísio de Freitas com 50% das preferências, contra 30% de Haddad. A vantagem do atual governador coloca o pleito em uma trajetória que pode resultar em uma vitória ainda no primeiro turno, o que intensificou a necessidade de Haddad em buscar o voto útil e reverter a tendência atual.
Além dos temas locais, o debate foi permeado pela disputa nacional. A vinculação de Haddad ao governo Lula e de Tarcísio ao bolsonarismo serviu como pano de fundo para todas as discussões, evidenciando como a política estadual em São Paulo permanece umbilicalmente ligada aos movimentos das lideranças nacionais. O clima de acirramento deve persistir até o encerramento da votação.
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Fonte: redir.folha.com.br
