A influência política sobre os evangélicos no Brasil tem sido um tema de destaque, especialmente em anos eleitorais. No entanto, uma pesquisa recente do Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria, revela que a maioria dos evangélicos rejeita o uso de igrejas como plataformas políticas. “O voto deveria ser do cidadão e não da religião”, afirma o pastor Lucas Oliveira, de Nova Iguaçu, sintetizando a visão predominante entre os fiéis.
Resistência ao uso político dos templos
De acordo com a pesquisa, 83% dos entrevistados são contra a indicação de voto por líderes religiosos, e 90% rejeitam campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos. Essa resistência reflete uma busca por autonomia política entre os fiéis, que desejam formar suas próprias opiniões sem a influência direta dos pastores.
Influência religiosa na política
Embora a rejeição ao uso político das igrejas seja clara, a influência religiosa na política não está ausente. Segundo a pesquisadora Lívia Reis, a mediação religiosa do voto ocorre mais pela formação de valores e identidades do que pela transferência direta de votos. Essa dinâmica se intensificou desde os anos 1990, especialmente em eleições presidenciais.
Divisões internas nas comunidades religiosas
A politização dos templos gerou divisões significativas nas comunidades religiosas. Muitos fiéis se afastaram de igrejas que se envolveram em campanhas políticas. O pastor Lucas Oliveira relata que pastores que apoiaram candidaturas em 2018 enfrentaram perdas de fiéis, evidenciando o impacto negativo da mistura entre política e religião.
Panorama do cristianismo no Brasil
A pesquisa Iser/Quaest entrevistou 15 mil pessoas em 412 municípios, revelando que os evangélicos representam 29% da população brasileira. Dentro desse grupo, 70% são pentecostais, enquanto 17% são protestantes e 10% são evangélicos sem igreja. A Assembleia de Deus é a maior denominação, seguida por várias outras menores.
Ambiente digital e a fé
O ambiente digital tem se tornado um espaço importante para a articulação religiosa. Cerca de 66% dos entrevistados utilizam o WhatsApp para discutir questões religiosas, mostrando como a influência religiosa se desloca para fora dos templos e se adapta às novas tecnologias. A pesquisadora Lívia Reis destaca que a mensagem política chega aos fiéis por meio de redes sociais e grupos de mensagens, sem a formalidade de uma indicação no culto.
O cenário atual mostra uma busca por equilíbrio entre fé e política, com os fiéis cada vez mais conscientes de seu papel na sociedade. Continue acompanhando o ConexRS para mais informações sobre temas relevantes e atuais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
