Em um movimento articulado que busca colocar a infância e a juventude no centro do debate eleitoral, mais de 520 organizações da sociedade civil uniram forças para entregar aos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais um conjunto de diretrizes estratégicas. A iniciativa, batizada de Agenda 227, propõe metas concretas para políticas públicas voltadas à proteção integral de crianças e adolescentes em todo o território nacional.
Prioridade absoluta e o marco constitucional
O nome do movimento faz referência direta ao Artigo 227 da Constituição Federal de 1988, que estabelece como dever do Estado, da família e da sociedade garantir, com prioridade absoluta, os direitos fundamentais de jovens e crianças. Apesar do respaldo legal, as entidades apontam que a distância entre o texto constitucional e a realidade cotidiana ainda é um desafio persistente no país.
Os documentos entregues aos postulantes aos cargos executivos detalham necessidades urgentes em áreas vitais como saúde, educação, primeira infância, combate à violência e profissionalização. O diagnóstico apresentado pelo grupo é contundente ao revelar que a vulnerabilidade não atinge a todos de forma igualitária. Crianças negras, indígenas, imigrantes, residentes nas regiões Norte e Nordeste, além de jovens em periferias urbanas, enfrentam riscos agravados de insegurança alimentar, pobreza e exposição a eventos climáticos extremos.
Cooperação federativa e metas de governo
Para os candidatos aos governos estaduais, a Agenda 227 enfatiza a necessidade de uma gestão baseada na cooperação entre os entes federativos. Segundo o movimento, o sucesso das políticas públicas depende da definição clara de prioridades e do fortalecimento das capacidades institucionais locais. A proposta busca democratizar o acesso a serviços essenciais e combater ativamente preconceitos estruturais relacionados a gênero, cor, origem e classe social.
Entre as organizações que compõem o coletivo estão instituições de peso como a Agência Brasil, Childhood Brasil, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Instituto Alana e a Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). A diversidade das entidades reflete a complexidade das demandas, que vão desde a proteção contra a violência sexual até a garantia de uma educação pública de qualidade.
Desafios e o futuro da infância
O documento reforça que a proteção da infância não deve ser tratada como uma pauta isolada, mas como um eixo transversal que sustenta o desenvolvimento do país. Ao dialogar com os candidatos, as entidades esperam que o próximo ciclo administrativo priorize o orçamento e as ações voltadas para a população de 0 a 17 anos, garantindo que o futuro do Brasil seja construído sobre bases de dignidade e respeito aos direitos humanos.
O ConexRS segue acompanhando as propostas apresentadas pelos candidatos e o desenrolar das discussões sobre o futuro das políticas públicas no país. Continue conectado ao nosso portal para receber informações apuradas, análises contextuais e o acompanhamento diário dos temas que impactam a sociedade brasileira.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

