Dólar encerra pregão a R$ 5,2165 sob clima de cautela pré-eleitoral

Dólar encerra pregão a R$ 5,2165 sob clima de cautela pré-eleitoral

Geral

O mercado financeiro brasileiro encerrou a última sessão antes do primeiro turno das eleições presidenciais com um comportamento marcado pela prudência. O dólar à vista fechou esta sexta-feira (2) cotado a R$ 5,2165, registrando uma variação negativa de 0,07%. A movimentação refletiu o estado de alerta dos investidores, que optaram por uma postura defensiva diante das incertezas inerentes ao pleito que se aproxima.

Oscilação contida e o reflexo da incerteza política

Durante o pregão, a moeda americana manteve uma trajetória de oscilação estreita, navegando entre a mínima de R$ 5,2006 e a máxima de R$ 5,2320. O mercado apresentou trocas de sinal ao longo da tarde, com investidores demonstrando pouco apetite por riscos direcionais significativos. Mesmo com um cenário externo favorável, onde a divisa americana perdeu força globalmente, o real não conseguiu acompanhar o movimento de valorização de forma integral.

Especialistas apontam que a postura contida do real é um reflexo direto da proximidade das urnas. Segundo Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, os agentes financeiros que planejavam se posicionar para o primeiro turno já haviam concluído suas movimentações. Como as pesquisas eleitorais recentes indicaram apenas alterações marginais nas expectativas, o mercado preferiu aguardar o desfecho das urnas antes de definir novas estratégias de alocação.

Influência dos dados econômicos dos Estados Unidos

O cenário internacional trouxe um alívio momentâneo após a divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O relatório apontou a criação de 29 mil vagas em setembro, um número significativamente abaixo da mediana de 85 mil projetada pelo mercado. Esse dado reforçou a tese de que o Federal Reserve (Fed) pode optar por manter a taxa básica de juros inalterada na próxima reunião, o que geralmente favorece moedas de países emergentes.

Após a divulgação, o real chegou a ganhar fôlego, levando o dólar a testar o patamar de R$ 5,20. Contudo, essa força foi efêmera. No início da tarde, a moeda brasileira descolou-se do ambiente externo e o dólar voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 5,23, impulsionado por ajustes de posições técnicas dos investidores, enquanto o Ibovespa, em movimento distinto, acelerava seus ganhos.

Perspectivas para o mercado de câmbio

Ao analisar o desempenho semanal, o dólar acumulou uma alta de 0,67% frente ao real. O comportamento da moeda brasileira foi distinto de outros mercados emergentes, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano, que sofreram desvalorizações superiores a 2% no mesmo período. A resiliência relativa do real, ainda que cautelosa, mostra que o mercado mantém um olhar atento sobre o Brasil.

Instituições financeiras internacionais, como a Capital Economics, observam que a disputa eleitoral permanece acirrada, sem sinais claros de definição ainda no primeiro turno. Já o estrategista Álvaro Vivanco, do Wells Fargo, mantém uma postura neutra, mas sinaliza que o câmbio pode apresentar oportunidades de compra caso a cotação atinja o patamar de R$ 5,30, sugerindo que o mercado está preparado para diferentes cenários pós-eleição.

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Fonte: canalrural.com.br