A corrida eleitoral em Minas Gerais entrou em sua fase decisiva com uma movimentação intensa de ataques e contra-ataques que redesenham o cenário político estadual. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que mantém liderança folgada nas pesquisas de intenção de voto, tornou-se o principal alvo de uma ofensiva articulada por nomes do campo conservador. Paralelamente, o deputado federal Patrus Ananias (PT), que ocupa a segunda posição nas simulações, enfrenta o desafio de descolar sua imagem de gestões petistas passadas enquanto tenta consolidar seu eleitorado.
Estratégias de campanha e o peso do antipetismo
Candidatos como o atual governador Mateus Simões (PSD) e o empresário Flávio Roscoe (PL) têm adotado estratégias convergentes para tentar reverter a vantagem de Cleitinho. O foco central dessas investidas é a exploração do antipetismo, recorrendo à figura do ex-governador Fernando Pimentel (PT) — que enfrentou processos judiciais por tráfico de influência e lavagem de dinheiro antes de ser absolvido — como ferramenta de desgaste para o campo da esquerda.
Simultaneamente, a inexperiência de Cleitinho em cargos de gestão executiva é um ponto frequentemente explorado por seus rivais. Em peças publicitárias e debates, como o realizado pela Rede Globo no dia 29 de setembro, a narrativa construída pelos oponentes sugere que a escolha pelo senador seria um “salto no escuro”, enquanto a manutenção do atual grupo no poder representaria a estabilidade administrativa.
O embate pela direita e o papel do bolsonarismo
O governador Mateus Simões tem intensificado acenos ao eleitorado bolsonarista, buscando ocupar um espaço que, teoricamente, seria natural para Cleitinho. Em um movimento estratégico, Simões criticou a postura do senador em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando um posicionamento mais incisivo de Cleitinho sobre um eventual processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.
A movimentação de Simões inclui também um reposicionamento político importante: o apoio declarado a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Esse gesto marca um distanciamento tático de seu padrinho político, o atual governador Romeu Zema (Novo), com quem Simões não dividiu agendas públicas durante o período eleitoral, evidenciando a fragmentação das forças de direita em Minas Gerais.
A postura de Patrus Ananias e o legado petista
Do outro lado do espectro, Patrus Ananias tenta isolar sua candidatura das polêmicas que cercam o histórico do PT no estado. O deputado, que entrou na disputa como uma alternativa de última hora, tem focado sua comunicação na experiência administrativa acumulada durante sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte, na década de 1990, e no comando do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em debates, o candidato petista tem rechaçado a tentativa de seus adversários de transformá-lo em “advogado” de Pimentel, focando sua retórica na defesa de políticas públicas de assistência social. A estratégia visa atrair o eleitorado que prioriza a trajetória técnica e o histórico de gestão em detrimento da polarização ideológica que domina a reta final da campanha.
O cenário mineiro, portanto, permanece em aberto, com o eleitorado dividido entre a popularidade do senador do Republicanos e as tentativas de consolidação dos candidatos que buscam o segundo turno. O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desta disputa, trazendo informações checadas e o contexto necessário para que você compreenda os rumos da política nacional e regional. Continue conosco para as próximas atualizações sobre o pleito.
Fonte: redir.folha.com.br

