Salomon: como o tênis de trilha conquistou as cidades e superou US$ 2 bilhões em vendas

Salomon: como o tênis de trilha conquistou as cidades e superou US$ 2 bilhões em vendas

Economia

O que começou como um equipamento técnico voltado para o esqui e o montanhismo nos Alpes franceses transformou-se em um fenômeno global de comportamento. A Salomon, marca tradicionalmente associada ao desempenho em terrenos acidentados, rompeu as barreiras do esporte e consolidou-se como um item indispensável no guarda-roupa urbano, figurando desde escritórios corporativos na Faria Lima, em São Paulo, até passarelas de alta costura e palcos de música pop.

Essa transição não foi apenas estética, mas um movimento financeiro robusto. Em 2025, a companhia superou a marca de US$ 2 bilhões em vendas, registrando um crescimento de 35% em relação ao ano anterior. Os dados, reportados pela Amer Sports, grupo finlandês que detém a marca, evidenciam como a transposição de um produto de nicho para o mercado de massa pode redefinir a trajetória de uma empresa secular.

A ascensão do gorpcore como motor de vendas

O sucesso da Salomon está intrinsecamente ligado à ascensão do gorpcore, uma estética que elevou peças de vestuário técnico e funcional ao status de tendência urbana. O conceito, que mistura jaquetas corta-vento, calças de trekking e calçados de alta performance com o vestuário cotidiano, permitiu que a marca francesa se tornasse um símbolo de estilo sem precisar abdicar de sua identidade original.

Diferente de marcas que buscaram simplificar o design para agradar ao público das cidades, a Salomon manteve elementos como solas robustas, sistemas de amarração complexos e estruturas reforçadas. O modelo XT-6, originalmente lançado em 2013 para corredores de trilha, tornou-se o principal expoente dessa mudança, sendo adotado por consumidores que valorizam a estética da funcionalidade, mesmo que o uso mais extremo do calçado seja o deslocamento diário pelo asfalto.

Estratégia de marca e expansão global

A virada de chave da Salomon também passou por uma curadoria cuidadosa de parcerias e posicionamento de mercado. Desde 2015, quando iniciou uma colaboração com a loja parisiense The Broken Arm, a empresa buscou se aproximar do circuito de moda. Esse movimento culminou em parcerias de alto impacto, como a realizada com a Maison Margiela, que legitimou o uso de tecnologias esportivas em contextos de luxo.

A estratégia de expansão foi reforçada com a nomeação do designer Heikki Salonen como diretor criativo e, mais recentemente, com o anúncio da estrela do K-pop Jisoo, do grupo Blackpink, como embaixadora global. A escolha de um ícone da cultura pop coreana sinaliza a intenção da marca em dialogar com um público jovem e global, expandindo sua influência para além do universo tradicional dos esportes outdoor.

O modelo de negócio e a presença no Brasil

Por trás da estética, a Salomon tem executado uma reestruturação operacional focada na venda direta ao consumidor. Em 2025, os canais próprios — que englobam lojas físicas e plataformas de comércio eletrônico — representaram 41% da receita total da companhia, um avanço significativo frente aos 33% registrados em 2024. A rede global de pontos de venda já ultrapassa 500 unidades, entre lojas próprias e parcerias estratégicas.

O Brasil acompanha essa tendência com uma operação que reflete o posicionamento premium da marca. A loja própria localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, é um exemplo claro de como a empresa mira um público de alto poder aquisitivo e antenado às tendências globais. Para entender mais sobre as transformações do mercado de consumo e o impacto das marcas globais no cenário brasileiro, continue acompanhando o ConexRS, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Fonte: seudinheiro.com