As ações da Azzas 2154 (AZZA3) registraram forte valorização no Ibovespa nesta quinta-feira (1), impulsionadas por movimentações estratégicas em torno da marca Farm. Considerada a “joia da coroa” do portfólio, a grife carioca tornou-se o centro de uma disputa de mercado, com investidores reagindo positivamente à notícia de que o processo de venda da unidade está avançando com a chegada de diversas propostas.
Interesse de mercado e avaliação da Farm
De acordo com informações apuradas pelo jornal Valor Econômico, o processo de negociação da marca atraiu um volume expressivo de interessados. Cerca de 15 propostas não vinculantes já foram apresentadas, sinalizando um apetite robusto por parte de fundos de private equity e grandes grupos internacionais de moda. A expectativa é que as ofertas vinculantes sejam formalizadas ao longo de outubro.
O mercado estima que a Farm esteja avaliada entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. Embora o montante seja expressivo, ele ainda se encontra abaixo da faixa de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões que os principais acionistas da companhia almejam alcançar. Essa discrepância entre a oferta e a expectativa de valor pode, segundo analistas, alongar o cronograma das negociações.
Impacto estratégico para a Azzas 2154
A relevância da Farm para a Azzas 2154 é inegável, visto que a marca responde por aproximadamente 25% da receita bruta da companhia. Analistas do banco Safra destacam que uma transação concretizada nos patamares de avaliação atuais poderia destravar um valor substancial para a empresa, superando em muito a capitalização de mercado da própria Azzas, que gira em torno de R$ 2,2 bilhões.
Para o mercado financeiro, a venda representaria uma referência mais clara para o valor do portfólio, aumentando a confiança dos investidores na tese de “soma das partes”. Contudo, a cautela prevalece: gestores apontam que uma venda subavaliada poderia gerar impactos negativos, o que sugere que os executivos não devem se apressar caso as propostas não atinjam o patamar desejado.
Contexto da cisão e estrutura societária
A situação atual da Farm é resultado direto do processo de separação entre Arezzo&Co e Grupo Soma, oficializado em 2 de setembro. Após o “divórcio” conduzido por Alexandre Birman e Roberto Jatahy, a marca permaneceu sob uma estrutura de guarda compartilhada, operando como uma empresa própria controlada conjuntamente pelas duas companhias.
Nesse arranjo, a Arezzo&Co detém 57,4% da nova entidade, enquanto o Soma mantém os 42,6% restantes. Essa configuração foi desenhada para isolar a Farm das demais operações, facilitando uma eventual venda. A marca, que iniciou sua trajetória no Grupo Soma após a união com a Animale em 2010, consolidou-se como uma potência global, com presença em capitais como Paris, Londres, Nova York e Los Angeles.
O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desta negociação e os impactos no setor de varejo de moda. Para se manter informado sobre as movimentações do mercado financeiro e as principais notícias que afetam a economia brasileira, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela transparência e pelo compromisso com o jornalismo de qualidade.
Fonte: seudinheiro.com

