Ibovespa renova máxima histórica com alta de 8,82% após primeiro turno das eleições

Ibovespa renova máxima histórica com alta de 8,82% após primeiro turno das eleições

Economia

O mercado financeiro brasileiro viveu uma semana de euforia, marcada por uma reação vigorosa ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou um avanço de 8,82% no período, atingindo a marca de 209.066,90 pontos. Este desempenho representa a maior alta semanal desde março de 2020, consolidando um novo recorde nominal histórico para o índice.

Paralelamente ao otimismo na bolsa, o mercado de câmbio também apresentou movimento favorável ao real. O dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 4,9851, acumulando uma queda de 0,44%. Para analistas, o comportamento dos ativos reflete menos o resultado imediato das urnas e mais a expectativa sobre a condução da política econômica a partir de 2027.

Expectativas e o impacto do cenário eleitoral

A leitura predominante entre os investidores aponta para uma maior probabilidade de adoção de uma agenda focada no ajuste das contas públicas nos próximos anos. Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, destaca que o mercado está precificando a indicação de um cenário econômico mais austero. O resultado do primeiro turno, realizado no domingo (4), trouxe uma surpresa: Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abrindo uma vantagem de 2,2 milhões de votos.

A percepção de que o candidato do PL seria mais favorável ao mercado impulsionou instituições financeiras globais. O JPMorgan, por exemplo, elevou a recomendação das ações brasileiras para overweight (compra), citando a expectativa de melhora no fiscal e a moderação na curva de juros futuros. O Morgan Stanley adotou postura semelhante, acompanhando o otimismo que também foi alimentado por pesquisas eleitorais, como as da AtlasIntel/Bloomberg, que colocaram Flávio à frente na disputa.

Dinâmica do Ibovespa e o alívio nos juros

O setor de varejo foi um dos maiores beneficiários da semana, impulsionado pelo forte alívio na curva de juros futuros. Com a precificação de uma mudança de governo, os vencimentos longos da curva de juros recuaram significativamente, saindo da casa dos 14% para cerca de 12%. Esse movimento reflete a expectativa do mercado de que a taxa Selic possa iniciar um ciclo de cortes, com projeções de taxas terminais abaixo de 12% para 2027.

Entre os destaques positivos, o Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas com um salto de 60,58%. Outras empresas de alto beta, como Vamos (VAMO3) e Smart Fit (SMFT3), também registraram valorizações expressivas, superiores a 40%. Analistas do BTG Pactual observam que o resultado eleitoral desencadeou uma reprecificação acelerada de ativos domésticos, beneficiando companhias sensíveis ao ciclo econômico interno.

Pressão inflacionária e o cenário externo

Apesar do otimismo com a bolsa, o cenário macroeconômico ainda impõe desafios. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, superando as expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,58%, situando-se acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% com margem de tolerância.

No exterior, a cautela prevalece devido à trajetória de alta dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que renovaram máximas de 24 anos. O mercado monitora de perto as decisões do Federal Reserve (Fed), com altas probabilidades de manutenção dos juros em outubro e possível aperto monetário em dezembro. Enquanto isso, o presidente norte-americano, Donald Trump, busca mitigar pressões inflacionárias globais, incluindo negociações para o fornecimento de diesel russo ao mercado internacional.

Na ponta negativa da bolsa, a Embraer (EMBJ3) sofreu com a desvalorização do dólar, recuando 9,20%. A Vale (VALE3) também figurou entre as quedas, pressionada pela volatilidade do minério de ferro e pela exposição líquida à moeda americana, que torna o real mais forte um fator negativo para a microeconomia da mineradora, segundo avaliação do Citi.

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Fonte: seudinheiro.com